Sexta-Feira, 19 de Maio de 2017, 19h:53

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"COMERAM A CARNE": JBS distribuiu propina a 1.829 candidatos de 28 partidos; escândalo da Odebrecht virou "café pequeno"

*Por Mário Marques de Almeida

 

Diante das revelações que estão surgindo nas delações premiadas dos donos da JBS - os irmãos Wesley e Joesley Batista - e seus principais executivos, já está se formando o consenso de que o "propínoduto" montado pela empreiteira investigada na Lava Jato virou "café pequeno", como se diz, quando comparado com os esquemas de corrupção de políticos e agentes públicos irrigados pela multinacional brasileira da carne.

 

Nesse aspecto, chega a ser  didática, pela profusão de números, nomes e detalhes -  um verdadeiro manual de como se corrompe em alta escala -,  as revelações do diretor da JBS Ricardo Saud que contou em sua delação premiada que a empresa distribuiu propinas por atacado no meio político brasileiro, citando os nomes de centenas de beneficiários. 

 

O fato  aponta, por sua vez, que salvo poucas e honrosas exceções, está na "genética" do modelo capitalista brasileiro o enriquecimento de grandes grupos e formação de fortunas feitos na base de relações  deturpadas entre largos setores do empresariado e o setor público. Pelo qual os primeiros "mamam" nas tetas oficiais e os detentores do poder político "comem" gordo nas mãos de "empreendedores" inescrupolosos.

 

O ruim nesse relacionamento depravado é que o povo, a classe trabalhadora, em suma, acaba penalizada por ter que pagar a conta desses desmandos e roubalheiras.

 

Em depoimento prestado à Procuradoria-Geral da República (PGR), ele revelou que 1.829 candidatos, de 28 partidos das mais variadas colorações, receberam dinheiro do grupo controlado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista. 

 

As doações ilícitas foram de quase R$ 600 milhões. O grosso dos recursos, segundo ao delator, foi destinado aos candidatos em troca de contrapartidas no setor público. 

 

"Tirando esses R$ 10, R$ 15 milhões aqui, o resto tudo é propina. Tudo tem ato de ofício, tudo tem promessa, tudo tem alguma coisa", relatou. Saud disse que o "estudo" foi feito por sua própria iniciativa. 

 

Em vídeo do depoimento, divulgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ele entrega aos investigadores uma pilha de papéis com a relação de subornados, agora potenciais alvos de novos inquéritos de corrupção. 

 

Os números têm a escala da chamada "delação do fim do mundo", recém-acordada por 78 executivos da Odebrecht. 

 

"Eleitos foram 179 deputados estaduais, de 23 Estados; 167 deputados federais, de 19 partidos. Demos propina para 28 senadores da República, sendo que alguns disputaram e perderam eleição para governador e alguns disputaram reeleição ou eleição para o Senado. E demos propina para 16 governadores eleitos, sendo quatro do PMDB, quatro do PSDB, três do PT, dois do PSB, um do PP, um do PSD", contou. 

 

O diretor disse achar que, no futuro, o seu "estudo" vai servir. "Aqui estão todas as pessoas que receberam propina diretamente ou indiretamente da gente", entregou, concluindo com uma explicação sobre o esquema: "Se ele (o político) recebeu esse dinheiro, sabe, de um jeito ou de outro, (que) foi de propina. Essas pessoas estão cientes disso". 

 

*Com informações da Agência Estado.