Quarta-Feira, 09 de Agosto de 2017, 23h:59

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HERANÇA MALDITA: Cipoal de propinas milionárias envolveu obra inacabada do VLT, cujos escombros são vagões e trilhos se deteriorando

Rombo nos cofres públicos perpetrado na gestão passada deixou como legado material rodante se enferrujando, além de buracos no leito por onde deveria passar o modal

 

Redação

 

"Mar de lama” é pouco para definir a corrupção envolvendo as obras inacabadas do VLT, na gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), e de cujo esquema já se suspeitava, e que está sendo desnudado pela Operação Descarrilho, desfechada na manhã desta quarta-feira (9).

Em depoimento ao MPF, no bojo da sua delação premiada, Silval Barbosa já havia informado que o seu grupo político acertou propinas no valor de R$ 18 milhões de reais com empresas envolvidas na aquisição dos vagões do VLT, trilhos e construção do modal. Barbosa contou ao MP que o dinheiro dos “acertos” seria para pagar dívidas contraídas ainda na campanha eleitoral de 2010, junto a agiotas e que estavam pendentes.

Essas revelações de Silval Barbosa subsidiaram o desfecho da nova operação da PF, a Descarrilho, que será investigada paralela a outra mais aintiga, a Ararath, em função de que vários fatos se cruzam nas duas operações.

A ação desta quarta-feira visa apurar crimes de fraude a procedimento licitatório, associação criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de capitais, em tese ocorridos durante a escolha e execução da obra do VLT. Em seu conteúdo, muitos desses crimes já foram citados pelo ex-governadores às autoridades que estão investigando o escândalo que envolve uma obra paralisada no final de 2014 e cujos escombros resultaram em vagões e material rodante que estão deteriorando, além de vias entulhadas por trilhos e buracos, em Cuiabá e Várzea Grande, contribuindo para atravancar o tráfego nas duas cidades.

Segundo as investigações, o cipoal de propinas, em cuja viabilização foram usadas empresas de factoring e outras de “fachada”, compromete o ex-deputado José Riva e sua mulher, Janete Riva, que teriam recebido somas elevadas de recursos ilícitos do esquema do VLT. O ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, José Geraldo Riva (sem partido), é acusado de utilizar a própria esposa como “testa de ferro” num contrato de R$ 11,5 milhões envolvendo a Multimetal e a empresa responsável pela implantação do Veículo Leve sobre Trilho (VLT), em 2012. A informação consta do inquérito da Polícia Federal.

Cala-boca de Rowles

E passa ainda por figuras menores, como o lobista Rowles Magalhães, que teria recebido R$ 1 milhão, dinheiro que lhe foi entregue, a mando de Silval, para que “deixasse de importunar”. Já que Rowles se sentia à época da contratação do VLT, passado para trás nas negociatas e ameaçava denunciar o esquema.

Entenda o caso

A Operação DescaRrilho é resultado de investigação conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela PF. Ao todo, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Petrópolis, São Paulo e Curitiba, além de um mandado de condução coercitiva na Capital.

O ex-secretário da Secopa (Secretaria Extraordinária das Obras da Copa), Maurício Guimarães, foi conduzido à PF para prestar depoimento. Mas já foi liberado.

Durante a investigação, foram colhidos elementos que apontam, segundo a PF, "fundados indícios" de acertos de propina com representantes de sociedades empresariais integrantes do Consórcio VLT Cuiabá-Várzea Grande.

Há ainda indícios de desvio de recursos por intermédio de sociedades empresariais subcontratadas pelo consórcio. Uma dessas empresas que sofreu buscas e apreensões de documentos na operação é a Constil, com sede em Várzea Grande, que teve participação expressiva na consumação ao rombo nos cofres públicos.

 
Confira todos os alvos da operação

 
Sede do Consórcio VLT Cuiabá-Várzea Grande, localizada na Rua Barão de Melgaço, 2754, Sala 1003, Ed. Work Tower, Centro, Cuiabá-MT;

Sede da Cohabita Construções, localizada na Rua General Valle, 101 — AJB — Bandeirantes, Cuiabá/MT;

 Sede da Multimetal Engenharia de Estruturas, localizada na Rua Benedito Paula de Campos, 600 - Cristo Rei, Várzea Grande — MT;

Sede da CAF Brasil Indústria e Comércio, localizada na Rua Tabapuã, 81, 10° andar — Edifício City Hall, Itaim Bibi - São Paulo/SP;

 Sede da CR Almeida Engenharia de Obras, localizada na Av. Vicente Machado, 1789, Batel - Curitiba/PR;

Sede da Santa Bárbara Construções, localizada na Rua Padre Marinho, 37 — 2° Andar, Santa Efigênia, Belo Horizonte/MG;

Sede da Borbon Fomento Mercantil, localizada na Av. Getúlio Vargas, 1397, sala 102, Andar, Centro, Cuiabá/MT;

Sede da Aval Secutirzação de Créditos, localizada na Av. Getúlio Vargas, 1397, sala 104, 1° Andar, Centro, Cuiabá/MT;

Residência de Bruno Simoni, localizada na Rua General Valle, 101 — Bandeirantes, Cuiabá/MT;

Residência de João Carlos Simoni, localizada na Rua Estevão de Mendonça, 1067, apt 700, Edificio Maison Classic, Quilombo, Cuiabá/MT;
Residência de Altair Baggio, localizada na Rua Montevidéu esquina com Avenida Cidade do México, 15 - Jardim das Américas - Cuiabá/MT;

Residência de Guilherme Lomba de Melo Assumpção, localizada na Rua Vereador Juliano da Costa Marques, Edifício Bona Vita, Torre E, apt 1004, Bosque da Saúde, Cuiabá/MT;

Residência de Agenor Marinho Contente Filho, localizada na Rua Rainha Guilhermina, 29, apt 502 - Leblon — Rio de Janeiro/RJ;

Residência de Renato de Souza Meirelles Neto, localizada na Rua Camillo Nader, 200, 1° Andar — Edificio Kesington Park, Vila Morumbi — São Paulo/SP;
Residência de Arnaldo Manuel Antunes, localizada na Rua José Rodrigues da Costa, n° 215 — Jardim 'Americano, Itaipava, Petrópolis/RJ;

Residência de Marco Antonio Casssou, localizada na Rua Padre José Joaquim Goral, 61, Abranches, Curitiba/PR;

Residência de Maurício Guimarães, localizada na Rua Alameda Guaporé, 55, Condomínio Alphaville II, bairro Jardim Itália, Cuiabá-MT;

Residência de Ricardo Padilla de Borbon Neves, localizada na Avenida Antártica, 594, apt 2201, Edificio Maison Paris, Santa Rosa, Cuiabá-MT;

Mandado de condução coercitiva:

Maurício de Souza Guimarães