Sexta-Feira, 11 de Agosto de 2017, 17h:11

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DISCURSO: Prefeito de Lucas do Rio Verde “enche a bola “ de Temer, mas a maioria da plateia fez um silêncio constrangedor

Redação

 

temer e blairo

 

Durante a visita do presidente Michel Temer, na manhã de hoje (11), em Lucas do Rio Verde, onde participou da inauguração de uma usina de biodiesel e da solenidade que marca oo início da colheita de algodão, em companhia do ministro Blairo Maggi,  o prefeito daquele município, Luiz Binotti (PSD), parabenizou Temer pela "coragem de estar fazendo as reformas" de que o Brasil necessita, mas os aplausos foram tímidos e escassos. 

 

"Quero que o senhor siga em frente. Sei que é um homem determinado e corajoso. Muitos tentaram fazer (as reformas), mas não conseguiram. O senhor vai passar para a história do Brasil como o presidente que fez aquilo que precisava fazer", disse o prefeito do município que é um dos maiores polos do agronegócios de Mato Grosso.. 

 

Porém, a grande maioria da plateia, composta por produtores rurais da região e pessoas da cidade, parece não ter gostado dos  elogios ao presidente, e permaneceu em silêncio.  A apatia e falta de entusiasmo do público gerou um visível constrangimento na comitiva presidencial, diante da falta de aplausos. Apenas um pequeno grupo aplaudiu  a fala do prefeito.

 

 Antes mesmo da chegada de Temer ao município de Lucas do Rio Verde, um grupo de caminhoneiros protestava contra a visita do presidente na BR-163, na altura do km 686.  

 

A manifestação, no entanto, não atingiu diretamente o presidente, que se deslocou de helicóptero na região. "Temer está inaugurando uma usina, mas não é bem-vindo na nossa cidade pelo fato de estar envolvido nesses atos de corrupção. Ele usou dinheiro da população para comprar o apoio dos deputados e se salvar na cadeira de presidente", disse o caminhoneiro Gilson Baitaca, um dos líderes do movimento de transportadores de grãos do Mato Grosso. 

 

De acordo com Baitaca, o protesto é contra o aumento de tributos e as denúncias de corrupção que atingem o presidente. O líder dos caminhoneiros lamentou o resultado da votação na Câmara dos Deputados, que barrou a denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente por corrupção passiva. 

 

Baitaca também criticou o aumento da alíquota de PIS/Cofins sobre combustíveis. 

 Fala

 

Discurso ded Temer

 

O presidente Michel Temer, por sua vez, disse nesta sexta-feira, 11, que está sendo ousado ao propor reformas para recolocar a economia nos trilhos, reconheceu que o poder público "não pode fazer tudo" e prometeu que "logo, logo" o Brasil vai recuperar o grau de investimento. 

 

"Nestes 15 meses, nós apanhamos uma inflação no Brasil que estava acima de 10% e ontem ainda eu disse, quando eu falava no Rio de Janeiro, eu disse 'Nós trouxemos a inflação para 3%'. E alguém levantou o braço e disse 'Não, acabei de ver: hoje, é 2,71%'. Portanto, abaixo do centro da meta, que é 3%. Convenhamos, a taxa Selic estava 14,25%. Neste brevíssimo período, trouxemos para um dígito, 9,25%, a indicar que até o final do ano estaremos em torno de 7,5%, 7%. Portanto, um trabalho que vem sendo feito responsavelmente, paulatinamente", disse Temer. 

 

"Vou fazer um pouco propaganda do governo aqui, pode? Vejo que o Risco Brasil, que estava em mais de 470 pontos negativos, quando assumi o governo, hoje está em 195 pontos, portanto caiu sensivelmente. E logo, logo vamos reassumir o grau de investimento que nós perdemos no passado", prosseguiu Temer. 

 

Na quinta-feira (10), a principal referência do Risco Brasil fechou a 197,43 pontos. Em fevereiro de 2016, a agência de classificação de risco Moody's rebaixou a nota do Brasil em dois graus, o que fez com o que o País perdesse o selo de bom pagador das três principais agências do mundo - Fitch e Standard & Poor's já haviam reduzido a nota brasileira em 2015. 

 

Reformas. 

 

Ao falar das reformas que o Planalto pretende ver implantadas, o presidente disse que estava sendo mais que corajoso. "Estou sendo ousado, porque são matérias que ficaram durante anos e anos paralisadas e nós fomos dando solução", observou Temer, destacando que o primeiro passo foi combater a recessão para caminhar rumo ao desenvolvimento. 

 

"No Brasil, temos de eliminar uma cultura política que se instalou nos últimos tempos, incompatível com o espírito brasileiro, uma animosidade, uma litigância, uma litigiosidade entre os brasileiros que não se encontrava no passado. A nossa tarefa com o crescimento do País é fazer com que não haja brasileiro contra brasileiro, mas brasileiro com brasileiro, é isso que queremos - uma harmonia absoluta no nosso País", afirmou. 

 

O presidente disse que ao longo do seu governo tentou acabar com um "certo preconceito ideológico" que trata a iniciativa privada - e o empresário, em particular - como se fosse "alguém à margem da sociedade". 

 

"Ao contrário: tratamos o empresário como alguém que auxilia o governo. A história da administração pública brasileira revela isso. O poder público não pode fazer tudo", ressaltou Temer. 

 

Entre as medidas já adotadas pelo Planalto, Temer destacou a reforma do ensino médio, a emenda constitucional que limita o crescimento dos gastos públicos e um parecer vinculante que uniformizou os procedimentos de demarcação de terras indígenas no País. 

 

O presidente afirmou também que, para ter uma vida digna, é preciso empregar a todos. "Os íveis de emprego estão crescendo, temos solucionado problemas. Não há coisa mais indigna do que o desemprego", comentou. 

 

Temer participou, em Lucas do Rio Verde, da inauguração da usina de etanol de milho da FS Bioenergia, a primeira usina brasileira de etanol que utiliza milho em 100% de sua produção. 

 

Esta foi a primeira viagem de Temer ao Estado de Mato Grosso desde que foi efetivado na Presidência da República.