Sábado, 12 de Agosto de 2017, 06h:45

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ELE É O "CARA": Um dos “pais” do VLT, José Riva tem informações importantes sobre como se “enterrou” o BRT em Mato Grosso

Redação

 

Acusado de ter usado a própria esposa como suposta “laranja” para receber propina de R$ 11 milhões do esquema que está sendo desvendado pela “Operação Descarrilho”, desencadeado pela Polícia Federal,  o ex-deputado José Riva, segundo informa seu advogado, Rodrigo Mudrovitsch,  está colaborando com as investigações.

 

O advogado não diz se a confissão seja parte de acordo de delação premiada, apenas informa que a ação transcorre em sigilo determinado pela Justiça. No entanto, fica evidente a estratégia de que as revelações do ex-deputado, que podem trazer novos dados à Operação policial em curso, faz parte de estratégia para redução da pena do réu em uma eventual condenação. 

 

José Riva foi um dos principais articuladores da substituição do modal sobre ônibus articulado (BRT) então previsto para ser implantado numa linha exclusiva ligando Cuiabá a Várzea Grande. 

 

Muito em função desse empenho do ex-parlamentar, o projeto do BRT foi substituído pelo do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).  Quando da discussão sobre qual meio de transportes em massa de passageiros seria mais adequado, defensores do BRT alegavam que se tratava de um modal de implantação mais barata, inclusive com relação aos custos de desapropriações que teriam de ser feitas caso a opção fosse o VLT.

 

Já Riva e outros defensores do modal sobre trilhos, argumentavam que este, além de moderno e por consumir energia elétrica, seria menos poluente. Ao contrário do BRT, movido por combustíveis,

 

Diante disso, a suposição que se faz agora, depois que o “propinoduto” da implantação do VLT veio à tona, é que Riva possua muitas informações e detalhes de como se operacionalizou, no âmbito dos governantes de Mato Grosso na época, essa mudança de rota na definição que acabou favorecendo a escolha do Veículo Leve sobre Trilhos..

 

Deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira (9), as investigações apontam a suspeita de crimes como fraude em licitação, organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva. 

 

De acordo com acusação da Polícia Federal, a esposa de José Riva, Janete Riva, ex-secretária de Estado de Cultura e candidata derrotada ao governo do Estado na eleição de 2014, teria seu nome usado na aquisição de uma empresa – a Miltimetal -favorecida com R$ 11,5 milhões de recursos liberados pelo Governo do Estado na gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB).. 

 

A empresa da mulher de Riva teria recebido, pelo sistema de terceirização, contratos do Consórcio que ganhou a concorrência para executar as obras do VLT.