Sábado, 11 de Novembro de 2017, 08h:45

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Protestos de presos se espalham em 34 cadeias de MT e mais seis Estados; transferência de líderes de facções é o principal “estopim”

Redação

Transferências de líderes de facções estão entre os principais motivos que levaram detentos de Mato Grosso e mais seis Estados a aderirem a movimentos de protestos, como greves de fome.

 

Embora presos e seus familiares aleguem as precárias condições dos presídios, onde os problemas de saúde e superlotação são realmente graves, autoridades desses Estados afirmam que isso possa estar sendo usado como pretexto para externar a revolta de lideranças que comandam a grande massa carcerária e que estariam insatisfeitas com a remoção de chefões do crime organizado para penitenciárias federais de segurança máxima – o que dificulta o contato desses presos com suas “bases”, dentro e fora dos presídios.

 

Detentos de ao menos 34 presídios estaduais e federais, em sete Estados do País, promovem rebeliões e protestos com greve de fome. Governos dos Estados de Mato Grosso, Acre e Pará associam os atos a ordens de facções criminosas - os detentos reivindicam melhores condições de instalação. No caso mais grave, em Cascavel, no Paraná, dois presidiários foram assassinados. 

 

Informações preliminares apontam que a rebelião teria sido motivada por brigas de facções criminosas dentro da Penitenciária Estadual de Cascavel. A Polícia Militar paranaense avaliava, até a noite de ontem, as condições para uma invasão. Ocupando o telhado do prédio, os detentos estenderam uma faixa com a sigla do Primeiro Comando da Capital (PCC). 

 

Nos demais Estados, os protestos dos presidiários não resultaram em mortes. Detentos do Pará, do Acre, do Rio, de Mato Grosso, de Mato Grosso do Sul e do Rio Grande do Norte fazem greve de fome. Em todos os Estados, os governos locais afirmam que a alimentação continua a ser fornecida à população carcerária. 

 

Segundo o Ministério da Justiça, há registro de protesto nos quatro presídios federais: Catanduvas (PR), Campo Grande (MS) e Mossoró (RN). Ao todo, 112 presos dessas unidades se recusam a receber alimentação. Somados, os presídios têm 379 detentos. 

 

"Eles dizem que procedem deste modo por serem contra a opressão do sistema penitenciário federal. Cabe ressaltar que os presos que estão no sistema penitenciário federal não sofrem nenhum tipo de opressão", diz o ministério. 

 

Em Mato Grosso, 26 presos explodiram um muro e fugiram da penitenciária Major Eldo Sá Corrêa, a 218 quilômetros de Cuiabá, que vinha registrando greve de fome entre os detentos desde o início da semana. 

 

Segundo eles, faltam medicamentos, dentista e médicos especialistas principalmente para o tratamento de tuberculose. 

 

Comando Vermelho. 

 

No Rio, a greve de fome atinge 12 presídios do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, zona oeste. O protesto começou na quarta-feira. Os presos envolvidos no protesto ficam em espaços destinados a internos da facção Comando Vermelho (CV), maior facção criminosa fluminense. 

 

O Acre tem uma unidade com detentos em greve de fome. É o Presídio Francisco DOliveira Conde, em Rio Branco. "A greve de fome está em consonância com a ordem que partiu de uma determinada organização criminosa que atua em todo País", diz o Instituto de Administração Penitenciária do Acre. 

 

Já o Pará tem 17 unidades, das 46 no Estado, em paralisação.