Sexta-Feira, 09 de Fevereiro de 2018, 18h:48

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NA BASE DA DIPLOMACIA: Pedro Taques rebate Mauro com “luva de pelica” e evita polemizar com o ex-prefeito de Cuiabá

Redação

Sem partir para o clássico “bateu, levou” que já fez parte do seu repertório de respostas aos ataques, eis que surge um outro Pedro Taques, mais diplomático, quando se trata de responder a questionamentos, mesmo os mais duros, feitos por aliados

Ao ser questionado por jornalistas nesta sexta-feira (9) sobre as duras críticas desferidas por seu aliado Mauro Mendes, o governador respondeu de forma diplomática, evitando assim alimentar o potencial de divergências e  mesmo confrontos que está se estabelecendo no grupo que teve participação direta na eleição do governador. Cujo exemplo evidente e o ex-prefeito de Cuiabá que, nos últimos dias, através de entrevistas e declarações vem sinalizando que pode até sair candidato a governador em enfrentamento com o atual chefe do Executivo que articula a reeleição.

Nessa linha mais amena e que pode ser interpretada também como um “tapa de luva de pelica” em Mauro, o governador chegou a “agradecer” as críticas do seu aliado.

“Na democracia toda crítica é salutar. Mauro é nosso companheiro e ele tem direito a fazer críticas, sim. E obrigado  pelas críticas. Tentaremos consertar se, por ventura, tenhamos cometido algum erro”, disse Taques.

Em entrevista à Rádio Vila Real, na quinta-feira (8) e que obteve grande repercussão na mídia da Capital, sobretudo nos sites, Mauro Mendes atribuiu ao governador parcela de responsabilidade pela crise de caixa do Executivo. Problema que, segundo Mauro, seria derivado de falta de providências de Taques, lá atrás, quando começou a gestão em 2015 e teria cometido erros de avaliação, levado por informações e análises supostamente equivocadas do setor de planejamento do Estado. Fato que teria deixado o governo sem fazer as correções de rumos então necessárias.

“Reclamar e jogar a culpa na crise é muito mais para quem não fez a lição de casa na hora certa”, cutucou duramente o ex-prefeito.

Já na mesma direção do governador, o secretário da Casa Civil, Max Russi, também evitou polemizar com Mauro Mendes, mas apresentou alguns contrapontos ao que disse o ex-prefeito da Capital.

A cautela da fala de Max, obviamente, é no sentido de não acirrar mais os ânimos do antigo aliado de Taques e que hoje sinaliza afastamento do governador.

“Sei que estamos em um momento de dificuldade, fazendo todos os ajustes necessários. O Governo tem cortado na carne, em custeios - e cortado muito”, disse o secretário.

 “Vamos continuar desse jeito: respeitando as críticas principalmente do Mauro, que é um companheiro do Governo e ajudou na eleição do governador Pedro Taques”, completou o secretário.

Por outro lado, conforme o ex-prefeito disse em sua entrevista na Rádio Vila Real, “a crise terminou em 2017, quando o Produto Interno Bruto e a geração de emprego tiveram crescimento”, o que não justificaria o prosseguimento da situação ainda difícil contas do Estado.

“Nós fizemos ações como a PEC [do Teto de Gastos], preparando Mato Grosso para os próximos cinco anos. Isso, sem sombra de dúvida, foi um avanço. No passado não tínhamos. Acharam que o País ia crescer e entramos em uma recessão”, disse Russi.

 “Nós perdemos mais de R$ 700 milhões no ano passado em receitas que não aconteceram. Isso afeta o caixa do Governo. Estamos indo em cima dos sonegadores. O Gallo [referindo-se ao secretário de Fazenda] tem feito um trabalho forte em cima deles. E essas receitas que estão vindo dão condição da gente poder pagar a folha no dia de hoje”, finalizou, referindo-se ao salário dos servidores.