Quarta-Feira, 06 de Julho de 2011, 10h:58

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Dante de Oliveira, uma lacuna não preenchida há 5 anos em Mato Grosso

Estado perdeu um dos seus políticos mais importantes nas últimas décadas

Uma das maiores expressões políticas de Mato Grosso e do Brasil vai ser homenageada nesta quarta-feira (6), mas não de uma forma que todos gostariam. Em vez de muita alegria, que marcam todos aniversários, Dante Martins de Oliveira é lembrado hoje por causa de vácuo político que deixou desde que faleceu no dia 6 de julho de 2006.

O homem das Diretas Já! não está mais aqui para opinar, conversar, dar conselhos “ir para a briga”, enfim, de algum modo ajudar na construção de um Estado e de um país melhor.

O sangue que corria nas veias de Dante tinha uma cor “diferente”: azul, amarelo, verde, enfim, todas que compõem as bandeiras do Brasil e Mato Grosso. E isso ele demonstrava desde pequeno, conforme dizem seus familiares.

Ainda muito jovem, Dante Martins de Oliveira sentia a preocupação em ajudar as pessoas. Sua mãe, Maria Benedita de Arruda Oliveira conta que, menino, ele gostava de atender a todos, até estranhos, que pediam ajuda em sua casa.

“Ele sempre foi preocupado com as coisas e infelizmente ele foi tirado antes de chegar ao fim”, lamenta, lembrando das histórias boas e ruins do filho, já que era uma figura pública e não estava imune às críticas, algumas, surgiram depois de sua morte.

Dona Maria Benedita, hoje com 90 anos, e seu Sebastião de Oliveira (conhecido como seu Dr. Paraná), já falecido, não aprovavam a inclinação do filho pela política. “Quando ele foi para o Rio de Janeiro se envolveu com o MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro, que tinha ideais socialistas), pedimos a ele para não se envolver nisso, mas não teve jeito”. “Depois vimos que esse era o dom dele e passamos a colaborar”, argumentou.

Em 1976, Dante de Oliveira se candidatou a vereador por Cuiabá sem nenhum aval dos pais, e perdeu as eleições. Mas isso não o desestimulou.

Dante conquistou em 1978 uma vaga na Assembleia Legislativa. Em 1982, foi eleito deputado federal. Em 1985 se elegeu prefeito de Cuiabá, cargo que conquistou pela segunda vez em 1992. Foi ministro da Reforma Agrária em 1986. E foi eleito governador do Estado em 1994 e reeleito em 1998.

COMÍCIOS

Como deputado federal, Dante movimentou o cenário nacional ao apresentar, em 1983, a Emenda Constitucional Dante de Oliveira pelo direito de a população brasileira votar para presidente da República. Porém, a proposta das Diretas Já, foi rejeitada pelo Congresso em abril de 1984.

Antes disso, Dante movimentou a massa popular, foi para as ruas de vários estados acompanhado de políticos como Tancredo Neves, Franco Montoro, Orestes Quércia, Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, Luiz Inácio Lula da Silva e Pedro Simon, além de cantores e atores de renome nacional, para propagar sua emenda à Constituição.

Essa vontade por Justiça resultou na “explosão” do movimento Diretas Já!, atos de mobilização civil por todo país. Comícios foram realizados de Norte ao Sul do Brasil.

Foram 15 meses de atos públicos que abalaram a ditadura e Dante de Oliveira foi protagonista dessas manifestações, que tiveram embasamento jurídico do seu pai. “Dante teve a ideia e pediu ajuda para o seu pai, que era um jurista, e ambos construíram a proposta da Diretas Já!”, revela dona Maria de Benedita.

FRASE

Em abril de 1984, o então deputado federal Ulysses Guimarães se referiu ao movimento com uma frase célebre: “Vi a história brotar nas ruas e na garganta do povo”. Ulysses faleceu no dia 12 outubro de 1992, em acidente de helicóptero no litoral do Rio de Janeiro.

HOMEM PÚBLICO

Para o governador em exercício, Chico Daltro, Dante de Oliveira foi um dos mais importantes políticos mato-grossenses das últimas décadas. “Sua vida política foi marcada principalmente pela emenda das Diretas Já!, em 1984, que marcaria o começo da grande reação popular que poria fim ao regime militar em 1985".

Como governador de Mato Grosso, Daltro afirma que Dante foi estadista e renovador. “Sua lembrança nos anima a pensar que mesmo depois de ter partido, um homem público pode marcar gerações com a sua herança de trabalho”, conclui.

INSTITUTO

Na semana em memória de sua morte, a família Oliveira realiza uma programação e busca a expansão do Instituto Dante Martins de Oliveira.

Diante de tamanha história, 28 anos ligado à política e a vida pública, seu sobrinho Leonardo Oliveira e a viúva Thelma de Oliveira estão em busca do fortalecimento do Instituto Dante de Oliveira, que prioriza projetos ligados à educação e ao esporte, mas principalmente a carreira do político que realizou diversas obras em todo o Estado.

“Queremos mostrar toda a trajetória da política de Dante em Cuiabá e Mato Grosso. Ele era um homem democrata e a gente quer mostrar isso para as novas gerações”, lemba Thelma de Oliveira.

Leonardo de Oliveira, que também é vereador em Cuiabá, fez questão de ressaltar que as obras do tio foram importantes para Mato Grosso. “Meu tio pensava no futuro, fico imaginando como seria a Copa de 2014, sem as obras que realizou (quando era governador e prefeito)”, destaca.

Entre as obras que realizou, Leonardo de Oliveira lembra da Avenida Miguel Sutil, importante para o escoamento do trânsito na Capital; a ponte Sérgio Motta, que liga Cuiabá à Várzea Grande; a antiga Avenida dos Trabalhadores, hoje recebe o nome Dante Martins de Oliveira; a criação do Parque Mãe Bonifácia e de outros três parques na cidade, além da criação das secretarias de Esporte municipal e estadual, para citar algumas.

Telma e Leonardo de Oliveira pretendem inaugurar a pedra fundamental no Parque Mãe Bonifácia em homenagem ao político, por se tratar de um local no qual ele foi um incentivador de sua criação. A iniciativa ainda precisa do aval da Secretaria do Meio Ambiente. Também há possibilidade de ser a sede do Instituto.

Para o fortalecimento do instituto, foi firmado no dia 4 de junho um convênio com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). A instituição irá trabalhar no arquivo da história política e pessoal de Dante, com fotografias, textos, e imagens em movimento. A ideia é fazer do instituto um ponto cultural e educativo para várias gerações.

CÂMARA FEDERAL

Antes de falecer, Dante era pré-candidato a deputado federal e tinha muitos objetivos, entre eles a chegada da ferrovia até Cuiabá, conclusão da rodovia Cuiabá-Santarém, implantação de um plano diretor para o ponto turístico de Nobres, apoio à educação básica entre outros. (Jorge Estevão e Aliana Camargo - site Hipernotícias)