Terça-Feira, 11 de Abril de 2017, 00h:04

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Em campanha, Marine Le Pen é criticada por minimizar papel francês no Holocausto

Redação

 

A candidata à presidência francesa Marine Le Pen recebeu duras críticas nesta segunda-feira, após minimizar o papel da França no Holocausto, o que afeta o esforço dela de ampliar o apelo da Frente Nacional, de extrema-direita, para eleitores mais ao centro do espectro político.

 

 No domingo, Le Pen alegou que o Estado francês não era responsável pela perseguição de 1942 a judeus, na qual mais de 13 mil pessoas foram detidas e mantidas no estádio de ciclismo de Vel d'Hiv, para serem posteriormente deportadas para campos de concentração nazistas. 

 

"Eu acho que a França não é responsável por Vel d'Hiv", afirmou Le Pen durante entrevista de rádio no domingo. "Eu acho que, em geral, se há pessoas responsáveis, são aqueles no poder na época. Não a França." 

 

A França luta para lidar com o papel sob o governo colaboracionista de Vichy durante a Segunda Guerra, mas nas últimas duas décadas os políticos do país em geral admitem o envolvimento do Estado na perseguição ao judeus. 

 

Em comunicado nesta segunda-feira, a chancelaria israelense disse lamentar que o antissemitismo "esteja erguendo sua cabeça novamente hoje". 

 

"Isso contradiz a verdade histórica como expresso em declarações de presidentes franceses que reconheceram a responsabilidade do país pelo destino dos judeus franceses que pereceram no Holocausto", afirmou a chancelaria. 

 

Os adversários de Le Pen disseram que as declarações mancham o esforço da candidata para distanciar seu partido do legado de seu pai, Jean-Marie Le Pen. O pai da candidata disse várias vezes que as câmaras de gás na Segunda Guerra foram "um detalhe na história". 

 

Após assumir o comando do partido em 2011, Marine Le Pen buscou posicionar a Frente Nacional como uma força política, afastando o pai da sigla. O financiamento da campanha, porém, continua a vir de um órgão monitorado por ele. 

 

No fim do domingo, Marine Le Pen divulgou comunicado, no qual disse que o regime de Vichy era um interlúdio ilegal na história francesa e que o real governo francês estava no exílio em Londres. 

 

Segundo ela, não há como retirar a responsabilidade dos que participaram do cerco em Vel' d'Hiv "e em todas as outras atrocidades cometidas na época". 

 

As pesquisas indicam que Le Pen e o independente Emmanuel Macron aparecem à frente na disputa e devem fazer o segundo turno em 7 de maio. Macron aparece à frente na disputa com a candidata. Fonte: Dow Jones Newswires.