Sábado, 15 de Julho de 2017, 03h:38

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OPINIÃO DE PESO: Presidente do BNDES defende investimentos feitos na JBS e diz que foi um bom negócio para o banco e o país



Redação

A empresa brasileira se projetou internacionalmente ao ponto de se transformar na maior do mundo no setor de produção de proteína de origem animal graças aos aportes de recursos que recebeu do BNDES na era Lula e Dilma. Porém, em função das investigações que o Grupo JBS vem sofrendo, houve sérios abalos no mercado, mas quem mais sofre com isso são os pecuaristas que enfrentam dificuldades para vender seu gado para o abate. Particularmente, a crise afeta mais Mato Grosso por possuir o maior rebanho bovino de corte do país.

Agora, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro - aliás, nomeado há pouco tempo por Michel Temer -, afirmou que a JBS é "um dos negócios mais bem bolados e bem sucedidos da BNDESPar", braço financeiro do BNDES.

O banco de fomento tem 21,32% de participação na companhia. Rabello de Castro citou ainda que a companhia teve projeção mundial com a compra da Pilgrims Pride Corporation, em 2009. O negócio recebeu apoio do BNDES.

"A compra da Pilgrims, em plena crise mundial, com a colaboração financeira, societária do BNDES, foi absolutamente decisiva. Ali a empresa JBS realmente ganhou a dimensão mundial", disse, destacando que falava não como presidente do BNDES, mas sim como consultor econômico. "Foi num momento em que todos estavam vendendo ativos", afirmou.

O BNDES divulgou nesta sexta-feira, 14, o "Livro Verde", no qual traz balanços das atividades do banco entre 2001 e 2016. O apoio do BNDESPar via mercado de capitais à empresa e à Bertin, posteriormente associada à JBS, somou R$ 8,1 bilhões.

"Como resultado, as operações de mercado de capitais já renderam cerca de R$ 5,04 bilhões entre dividendos, comissões, prêmios e alienação de ativos", traz o livro.

Rabello de Castro destacou que o resultado líquido das operações do BNDES com a JBS até dezembro tinha sido positivo em R$ 3,56 bilhões. O banco colocou R$ 8,1 bilhões na empresa.

O presidente do banco disse ainda que a empresa passa por momento delicado. "Quem mais sofre é o mercado pecuário brasileiro, com diminuição de liquidez ou capacidade de comprar pela JBS".

Ele diz que vê com urgência a regularização dos créditos. "É uma companhia dos brasileiros, antes de ser de qualquer controlador". Entre 2005 e 2016, a JBS foi quem mais recebeu no setor de carnes individualmente apoio do BNDES e BNDESPar, com 26%.

Prejuízos

Rabello de Castro afirmou que a assembleia geral extraordinária (AGE) de acionistas da JBS, ainda sem data, irá apurar possíveis prejuízos à companhia por conta de algum ato do administrador.

Segundo o executivo, a AGE foi solicitada pelo BNDESPar e deve ser marcada nos próximos dias. "Não significa dizer que a gente tem qualquer 'parte pri' de que o administrador causou qualquer dano. Mas o que é fundamental é que haja uma apuração", afirmou Rabello de Castro.

Ele disse que na verificação pode não ser apurado nenhum dano significativo. "Pode ter sido algum dano político, isso não tem nada a ver com a companhia. Queda de preço momentânea não é prejuízo", disse.

Sobre uma destituição de membros da família Batista da gestão, afirmou que está estudando em conjunto com os demais acionistas, inclusive o controlador, uma nova composição do conselho de administração. No entanto, disse que a palavra destituição é muito forte e que a assembleia é para apurar prejuízos.

O executivo destacou que esse é um assunto "interna corporis" dos sócios. "Nem eu posso responder porque estamos agindo em bloco".

Segundo Rabello de Castro, o conselho já se antecipou a mudanças e anunciou novos comitês do colegiado. Ele destacou o de governança, finanças e executivo como os mais importantes.

Rabello de Castro disse ainda que, "até a lambança da delação" de Joesley Batista, a ação da JBS "estava cotada a mais de R$ 10 e o BNDES entrou com ela a R$ 7". Há pouco, os papéis eram negociados a R$ 7,13.

TLP

Paulo Rabello de Castro voltou a negar que teria feito críticas a nova Taxa de Longo Prazo (TLP), em discussão no Congresso, e disse não só estar alinhado com o Ministério da Fazenda, como estar costurado. "Sou completamente aderente".

O posicionamento ocorre após ele ter criticado abertamente a TLP, o que gerou um mal estar com a equipe econômica do governo. Na primeira audiência pública sobre o tema, realizada nesta semana, o governo escalou um time de peso para defender a TLP. Rabello de Castro nega conflitos.

"O BNDES é executor da política econômica do governo. Nós não temos que ficar pensando exageradamente em nada, a não ser que formos chamados para isso. O comum e corrente da nossa atividade é executar", afirmou em entrevista coletiva.

 

Com informações da Agência Estado