Quarta, 20 de julho de 5-19, 23h00
"ATROPELANDO" CONCORRENTES
NA BASE DA CORRUPÇÃO: Com práticas "nebulosas" e passando o rodo, grupo comandado pelos irmãos Batista monopolizou mercado da carne em MT e no país


*Por Mário Marques de Almeida

 

Grupo controlado pela holding J&F e através de sua principal subsidiária, a JBS, possui 11 frigoríficos  em Mato Grosso e praticamente monopoliza o mercado no Estado, é um expoente típico do "capitalismo" brasileiro, cevado as custas do erário e de metódos duvidosos de se relacionar com o setor público. 

 

Detentora do monopólio do abate e processamento da carne em todo o país,  a empresa JBS, dona da marca Friboi, entre outras "grifes",  mais do que pontuar nas páginas de economia, aparece com maior frequência no noticiário policial. 

 

E não é de agora que ocorre essa inserção negativa na mídia do conglomerado, que vem se destacando pela voracidade como tem avançado nos cofres públicos em busca de benesses a exemplo dos empréstimos a juros subsIdiados e prazos longos do BNDES, além de regalias fiscais  do tipo isenções de tributos, sem falar na prática sistemática de corrupção de agentes políticos para obter favorecimentos. 

 

De acordo com essa prática espúria, o grupo "passou o rodo"  na concorrência, comprando plantas industriais de outras empresas do setor, muitas das quais foram desativadas, ocasionando desemprego e deixando pecuaristas reféns do monopólio, inclusive em MT onde unidades foram fechadas.

 

ESTOQUE A CUSTO ZERO

 

Com rebanho estimado em 55 milhões de cabeças de gado, a pecuária mato-grossense acaba sendo uma "reserva" de estoque de carne do Grupo JBS-Friboi a custo zero, isto porque, obviamente, não são eles que investem na compra e manutenção de fazendas, formação de pastagens, criação e engorda de bovinos, despesas com mão de obra e aquisição de insumos como rações e vacinas.

 

Assim, eles podem dispor desse imenso potencial agropecuário e vender a produção, inclusive, no mercado futuro, alavancando bilhões e bilhões de dólares em cima de produtores rurais que não tem outras alternativas para comercializar seus animais para abate

 

A somatória dessas "espertezas",  irregularidades e falcatruas redundou em uma série de operações desencadeadas a partir de julho do ano passado - Sépsis, Greenfield 1 e 2, Carne Fraca e Bullish - que arrastaram um dos maiores conglomerados empresariais do País para um acordo de colaboração com a Justiça. 

 

As empresas do grupo J&F, controlado pelos irmãos Wesley e Joesley Batista, apareceram na Lava Jato em 2014, primeiro ano da operação. Na época, a JBS S.A. foi incluída na quebra de sigilo de uma das empresas de fachada ligadas ao doleiro Carlos Habib Chater. 

 

Depois disso, as empresas do grupo deixaram o noticiário relacionado à operação. No ano passado, no entanto, a partir da Sépsis, a maior produtora de proteína animal do mundo entrou no radar dos investigadores. 

 

Relações espúrias

 

A Séspis mostrou detalhes da delação do ex-dirigente da Caixa Fabio Cleto sobre pagamento de propina para liberação de aportes do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS). Entre as empresas beneficiadas pela organização criminosa formada, segundo investigações, por Cleto, pelo deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e pelo operador Lúcio Funaro estava a Eldorado Celulose, do grupo J&F. 

 

Na Greenfield, os investigadores apuraram irregularidades nos repasses do Funcef e do Petros, fundos da Caixa e Petrobrás, respectivamente, no FIP Florestal, responsável por investir na Eldorado Celulose. 

 

Por causa dos indícios de irregularidades, o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10.ª Vara Federal em Brasília, afastou Joesley e Wesley do comando das empresas do grupo - o que teria sacramentado a escolha de Joesley por um acordo de delação. Enquanto via suas empresas entrarem uma a uma na mira dos investigadores, Joesley negociava o acordo, recém-homologado.

 

 Entre abril e maio, a J&F ainda viu a PF realizar Operação Carne Fraca contra possíveis pagamentos de propina em frigoríficos da JBS e também foi alvo da Operação Bullish. 

 

*Com informações da Agência Estado

 


Fonte: Página Única
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