Terça, 20 de agosto de 2-11, 00h29
Bloco Vaca Profana defende tetas liberadas e empoderamento das mulheres


Hypeness

 

Neste ano, a Vaca tem concentração marcada na segunda, dia 12 de fevereiro, na Praça do Jacaré, em Olinda, às 14h. A brincadeira, regada a muito frevo e representatividade, só termina no Largo do Amparo.

 

 

CONFIRA ENTREVISTA COM A FUNDADORA DO BLOCO

 

 

Hypeness: A ideia do bloco começou com uma fantasia de Carnaval sua. Como foi isso?

 

Dandara: Eu tive a ideia por causa da música de Caetano e Gal. Fiz uma roupa com textura de vaca, fiquei sem blusa e botei uma máscara. Mas, quando estava andando na rua, fui parada por um policial que me falou que não poderia andar na rua daquele jeito, enquanto vários homens estavam sem blusa. Aí foi o divisor de águas pra entender a falta de poder da mulher sobre o seu próprio corpo. Isso aconteceu em 2015. No ano seguinte já saímos como bloco de Carnaval e foi lindo. Em 2017 chuto que já eram umas 5 mil pessoas.

 

Qual a reflexão que o bloco quer provocar?

 

Dandara: Reforçamos e relembramos a total autonomia feminina para com seu corpo. Quebramos tabus e ajudamos a melhorar a autoestima das mulheres.

Qual a reação das pessoas ao verem bloco passar?

 

Dandara: Ficam totalmente chocadas (risos)! Tem gente que não acredita, tem gente que xinga, tem gente que bate palma, são várias as reações.

 

Em outros anos, a Vaca saiu acompanhada de outros blocos. Como será neste ano?

 

Dandara: Este ano nosso lema é “O Carnaval será feminista – ou não será”. Nos outros anos, saímos com blocos mistos divido o protagonismo dos homens e isso infelizmente infrequência a nossa luta mas este ano será só nos homem pode ir só não vai ser protagonista.

Os donos dos outros blocos que participavam e já tinham recursos, eram homens, mas depois soubemos que estavam respondendo pela lei Maria da Penha. Eu não sabia e isso deu uma grande confusão. Nessa, tiveram mulheres que deixaram de desfilar. Acontece que, às vezes no Carnaval, por já fazerem há muitos anos, os homens detém parte da grana. Então este ano decidimos que ou a gente vai sair por que a gente conseguiu custear isso ou vai sair da forma mais simples possível, mas com eles não. Aí surgiu a ideia do lema. A ideia é que todo o protagonismo seja nosso. Os homens podem ir, mas queremos nossa total autonomia enquanto gerência do bloco. A orquestra e componentes é formada só por mulheres.

 

Como estão fazendo para custear a Vaca neste ano?

 

Dandara: Estamos vendendo camisetas com arte da Tainá Tamashiro na Trocando em Miúdos do Parnamirim e também com as representantes do bloco. Além disso, é possível doar contribuições.

 

Vocês fazem outras ações relacionadas empoderamento da mulher?

 

Dandara: Sim, perfomances, debates, eventos diversos. Na “Mostra que é Femmi”, evento que aconteceu em 2016 durante todo mês de março, fizemos atividades que trabalhavam temas feministas, como sexo, feminismos negro, mercado de trabalho, parto humanizado e legalização do aborto. O evento aconteceu no Recife e em Olinda e foi uma experiência incrível.

 

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Fonte: Página Única
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