reprodução
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que apura fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social ampliou o foco das investigações e passou a mirar diretamente grandes lideranças religiosas. Entre os nomes incluídos em requerimentos de convocação e de quebra de sigilo está o do pastor André Valadão, líder da Igreja Batista da Lagoinha.
Os pedidos foram protocolados em dezembro de 2025 pelo deputado federal Rogério Correia e integram um conjunto de dez requerimentos que ampliam o alcance da CPMI sobre a relação entre entidades religiosas e operadores financeiros suspeitos de envolvimento no esquema que teria causado mais de R$ 6 bilhões em descontos indevidos de aposentados e pensionistas.
No último domingo, a senadora Damares Alves afirmou publicamente que a comissão já identificou a participação de “grandes igrejas” no rombo do INSS. Poucos dias depois, a CPMI avançou sobre nomes ligados ao meio evangélico, com pedidos formais de oitiva e de quebra de sigilo.
Durante reunião realizada em 4 de dezembro, os deputados Rogério Correia e Dorinaldo Malafaia apresentaram uma lista de pastores suspeitos de receber recursos de empresas investigadas por fraudes contra beneficiários do INSS. A iniciativa marcou a ampliação da apuração para além dos operadores financeiros tradicionais.
O cerco se intensificou após a prisão do empresário e pastor Fabiano Campos Zettel, ocorrida quando ele tentava embarcar em um jatinho com destino a Dubai. Ligado à Lagoinha e cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Zettel foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Embora tenha sido solto no mesmo dia, teve o passaporte apreendido e está proibido de deixar o país por decisão do ministro Dias Toffoli.
A partir desse episódio, a Igreja Batista da Lagoinha passou a ser tratada como elemento central nas apurações. A instituição é liderada por André Valadão e lançou recentemente a fintech Clava Forte Bank, criada pelo pastor e por sua esposa, Cassiane. A iniciativa colocou a igreja no radar da CPMI, que investiga possíveis esquemas de descontos irregulares em aposentadorias e pensões.
As conexões entre as famílias Vorcaro e Valadão também reforçaram a atenção dos investigadores. Reportagem da revista Piauí apontou que, antes de se tornar banqueiro, Daniel Vorcaro mantinha vínculos com a estrutura midiática da Lagoinha, relação que teria contribuído para a expansão da presença da igreja em rádio e televisão.
Nesta semana, Damares Alves divulgou uma lista de igrejas e líderes evangélicos que tiveram requerimentos aprovados pela CPMI do INSS. Entre os nomes citados estão André Machado Valadão, César Bellucci do Nascimento, Péricles Albino Gonçalves, Fabiano Campos Zettel e André Fernandes, além de pedidos específicos de quebra de sigilo envolvendo Valadão.
A expectativa no Congresso é de que os próximos passos da comissão aprofundem o escrutínio sobre a atuação financeira de líderes religiosos e suas conexões com o esquema investigado, ampliando a responsabilização de eventuais envolvidos no maior escândalo recente envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários.
Copyright © Todos os direitos reservados

