ARQUIVO TEMIDO: Envelope lacrado chegou as mãos de ministro do STF e causa pânico; novas operações e prisões podem ocorrer em MT
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11/07/2018 - 07:44
FUX
RedaçãoA noticiia sobre o encaminhamento pela Polícia Federal em Mato Grosso ao ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), de um envelope lacrado contendo informações sigilosas sobre documentos comprometedores apreendidos na "Operação Malebolge” (12ª fase da "Ararath"), vem causando apreensão em setores dos meios políticos do Estado, notadamente entre os investigados no esquema. O temor, segundo a reportagem conseguiu apurar junto a diversas fontes, é de que, em decorrência do conteúdo dessa remessa de documentos, o ministro possa decretar novas operações da PF, com o risco, obviamente, de incluir decretos de prisões e não apenas de buscas e apreendões. Fux centraliza todas as decisões da "Operação Ararath", iniciada em novembro de 2013 e que, em suas diversas fases, já culminou com condenações de pessoas que participavam do.alto escalão do poder no Estado. Mais recentemento, no decurso dessa operação foram afastados cinco conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e em que pesem os recursos que eles vem protocolando em várias instâncias judiciais, até o momento não conseguiram retornar a seus cargos. E, portanto, eles continuam sendo alvos da caneta de Luiz Fux. “Encaminho, por dever de ofício, cópia integral do auto de apreensão lacrado em invólucro de segurança para conhecimento e providências julgadas pertinentes por Vossa Excelência, uma vez que aparentemente menciona nomes de pessoas com foro perante essa Suprema Corte”, diz trecho da missiva que acompanha as cópias do material apreendido pela PF, remetido no dia 28 de junho deste ano, ao ministro do STF.Entenda o caso
Deflagrada pela Polícia Federal em setembro de 2017 e que cumpriu mandados nos Estados de Mato Grosso, São Paulo e Distrito Federal, a Melebolge tem como base os depoimentos de delação premiada do ex-governador Silval Barbosa (sem partido) à Procuradoria-Geral da República (PGR), posteriormente homolagada pelo STF, com informações sobre casos de corrupção. Os relatos detalhados por Silval teriam sido confirmados pelo ex-chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf, pelo ex-chefe de gabinete do Palácio Paiaguás, Sílvio Cesár e por parentes do ex-governador, que também fizeram delações. Entre os fatos investigados estão esquemas milionários de pagamentos de propinas para deputados estaduais e conselheiros do Tribunal de Contas (TCE-MT) em troca de apoio político.Quando tomou conhecimento dos fatos narrados nos autos que chegaram a suas mãos. Luiz Fux teria ficado espantado com o tamanho da roubalheira, classificando-a como uma “delação monstruosa”. “A prática de exigir propina como condição para aprovação de contas pertinentes a obras públicas relacionadas a projetos políticos de interesse do Governo Estadual não consistiu em uma conduta isolada, mas sim em forma sistemática de conduta adotada ao longo de seu mandato, inserida num amplo contexto de práticas corruptivas que se encontram enraizadas em diversos segmentos institucionais do Estado de Mato Grosso”, disse Fux.Silval Barbosa, que governou Mato Grsso de 2010 a 2014, declarou na delação que pagou R$ 53 milhões em propinas para conselheiros do TCE-MT para conseguir pareceres favoráveis ao destravamento de obras da Copa (paralisadas por ordem dos próprios conselheiros) e do programa rodoviário MT Integrado, além da aprovação dos balancetes e balanço final de suas contas na chefia do Poder Executivo de Mato Grosso.