AGENCIA SENADO
Menos de 24 horas após ser anunciado que o ex-presidente Jair Bolsonaro pedira autorização ao STF para receber o senador Wellington Fagundes, os presidentes nacional e estadual do PL, respectivamente, Valdemar da Costa Neto e Ananias Filho, se reuniram em Brasília.
Como o DIÁRIO antecipou, a visita foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, e o político mato-grossense irá ao Complexo da Papudinha, em Brasília, onde o ex-presidente cumpre pena de 27 de cadeia por crimes contra a democracia.
Costa Neto mandou um recado para Mato Grosso e sua população, falando em eleger Wellington governador do Estado, bancadas federal e estadual fortes, os senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) presidente da República e o deputado federal José Medeiros (PL-MT) senador.
Mas a informação veio pela metade, já que teria sido definido que o senador mato-grossense, pré-candidato ao Palácio Paiaguás, será uma das peças que participarão, de forma efetiva do staff do presidenciável Flávio Bolsonaro. Isso reforçaria ainda mais a disposição do PL de ter o senador mato-grossense - presidente do Bloco Vanguarda, com 15 membros - atuante na elaboração da sua plataforma de Governo e no núcleo de decisões do grupo bolsonarista.
Fato é que, se por um lado, Wellington ganha musculatura política e força de decisão - tanto que Flávio já tem uma pré-agenda para Mato Grosso, após o Carnaval -, a decisão o distancia do grupo do (ainda governador) Mauro Mendes (União) e do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
Ambos suaram camisa e baixaram a guarda para tentar conquistar o apoio de Jair Bolsonaro e do PL, reforçando o projeto do atual chefe do Executivo Estadual, de se perpetuar no poder e manter Mato Grosso sob o seu comando, ainda que indiretamente.
Todo o esforço para ter o PL e se filiar ao partido escorreram por entre os dedos de Mauro e Pivetta, quando da condenação e prisão der Bolsonaro. Ambos abandonaram os planos. Inclusive, as conversações com viés político atravessado, longe dos holofotes e dos eleitores, entre o vice e o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, uma das maiores lideranças políticas do PL com mandato.
Abilio e Pivetta chegaram a discutir a possibilidade de a primeira-dama de Cuiabá, a vereadora Samantha Iris (PL) ser compor como candidata a vice em eventual chapa governista para 2026.
Wellington Fagundes, bem ao seu estilo matreiro, vai construindo, aos poucos, sua candidatura e aparando as arestas, que são muitas, mas tendem a ser vencidas pela necessida,de da postulação presidencial. O próprio Jair Bolsonaro deve sinalizar a necessidade de se reforçarem os palanques nos estados onde ele próprio foi vencedor em 2018 e 2022, buscando manter e ou ampliar os votos.
A ideia é também buscar diminuir a diferença nos estados onde a esquerda venceu e garantiu a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Bolsonaro foi o primeiro presidente da República a disputar a reeleição no cargo e não obter sucesso.
Jair Bolsonaro vai ainda reforçar a necessidade de se concentrar forças, não apenas para conquistar a Presidência da República, mas, principalmente, para manter a hegemonia de maior partido na Câmara dos Deputados. Se bem que, conforme analistas, é muito difícil se fazer metade das 513 vagas na Câmara, além de buscar maioria no Senado, onde, neste ano, estarão em disputa 2/3 (54 vagas).
Estrategicamente, o PL e os partidos aliados precisam conquistar a maioria no Senado e na Câmara, para impor limites a outros poderes, como o Executivo eo Judiciário. Compete ao Senado propor impeachment (processo de suspeição que pode levar à investigação, afastamento e cassação) de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), a mais alta Corte, com 11 ministros.
Apesar de a Constituição Federal não prever o impeachment de ministros do STF, por outro lado, estabelece que compete ao Senado processar os ministros por crime de responsabilidade, o que, na prática, leva ao afastamento e, até mesma, à cassação.
A necessidade de mais deputados e senadores não pode ser confundida como um regra geral, sob pena de o próprio PL esvaziar a candidatura presidencial. Por isso, o hoje presidiário Jair Bolsonaro tem intensificado conversações, quando lhe é permitido receber visitas de aliados, mas busca evitar conflitos. Afinal, candidatos majoritários como o senador Wellington Fagundes têm suas eleições como prioridade, mas sabem da necessidade de eleger representantes legislativos aliados, sob pena de terem suas gestões engessadas.
Com a decisão de integrar o "staff presidencial" de Flávio Bolsonaro e ter sua pré-candidatura confirmada pela maior liderança do PL, Wellington dá mais um passo rumo à consolidação de seu projeto eleitoral, em meio ao tiroteio de possíveis adversários políticos na disputa pelo Governo de Mato Grosso.
São os casos do senador Jayme Campos (União), do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e daa médica Natasha Slhessarenko (PSD).
Eles são quadros que remetem a uma enorme possibilidade de, pela primeira vez, a eleição para o Executivo ser realizada em dois turnos em Mato Grosso. O Estado, até agora, só teve dois turnos para prefeito de Cuiabá e para a Presidência da República, desde 1988, quando foi promulgada a atual Constituição Federal.
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