A vereadora Maysa Leão e o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, protagonizaram um bate-boca acalorado na manhã desta terça-feira (10), na sala de imprensa da Câmara Municipal, durante uma entrevista coletiva concedida pelo chefe do Executivo.
A discussão teve início após Abilio citar a parlamentar ao comentar a atuação do Instituto Lírios e relembrar uma audiência pública em que uma adolescente relatou abusos sofridos. O prefeito levantou questionamentos sobre a exposição da vítima e insinuou que Maysa poderia ter identificado visualmente que se tratava de uma menor de idade.
Na sequência, Abilio passou a questionar a participação do Instituto Lírios em um projeto financiado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), comandado pelo ministro Carlos Fávaro. Segundo o prefeito, a entidade teria recebido R$ 4 milhões em recursos federais, que estariam sendo utilizados para percorrer o interior do estado.
“Esse instituto recebeu R$ 4 milhões do Mapa, do Fávaro, só para ficar andando pelo interior do Estado de Mato Grosso, em ato que tenho dúvidas se é para pré-campanha política. Então a Câmara tem muito para investigar”, afirmou.
Logo após a declaração, Maysa se dirigiu à sala de imprensa e reagiu às acusações, afirmando que o prefeito estava fazendo ilações sem apresentar provas. A vereadora negou qualquer irregularidade e rebateu as insinuações de uso eleitoral dos recursos.
Durante o embate, Abilio insistiu nos questionamentos sobre o repasse do Mapa e voltou a relacionar o projeto à possível pré-campanha eleitoral. Maysa negou ter participado de viagens com integrantes do Instituto Lírios e afirmou que o projeto foi selecionado por meio de chamamento público nacional.
A vereadora também explicou que o projeto “Elas e a Agricultura: Empreendedorismo no Campo” é coordenado pela Universidade Federal de Mato Grosso, por meio de termo firmado com o Ministério da Agricultura, e que a presidência do Instituto Lírios não exerce a coordenação da iniciativa.
O bate-boca interrompeu momentaneamente os trabalhos da Casa e desviou o foco da sessão, que discutia pedidos de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito e a criação de uma Comissão Especial para apurar denúncias contra o ex-secretário municipal do Trabalho, William Leite.
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