Vereadora denuncia uso de inteligência artificial para criar conteúdo sexual falso com imagens de meninas

Vereadora denuncia uso de inteligência artificial para criar conteúdo sexual falso com imagens de meninas Reprodução Instagram

A vereadora Luiza Böer (PL) denunciou nesta semana um caso envolvendo o uso de inteligência artificial para manipular imagens de meninas do município de Juína, a 745 km de Cuiabá. Segundo a parlamentar, fotos e vídeos teriam sido alterados digitalmente para simular conteúdo de caráter sexual e posteriormente divulgados na internet.

A denúncia foi feita nas redes sociais da vereadora, que afirmou ter recebido relatos de famílias cujas filhas teriam sido expostas após a circulação do material. De acordo com ela, as imagens manipuladas teriam sido compartilhadas inclusive em plataformas voltadas a conteúdo adulto.

“Estou me manifestando em defesa das meninas e das famílias que foram expostas. Imagens de meninas da nossa cidade foram vinculadas por inteligência artificial a conteúdo sexual, em fotos e vídeos que, ao que tudo indica, acabaram sendo publicados em plataformas adultas”, afirmou.

Após a repercussão do caso, algumas famílias registraram boletins de ocorrência, e a Polícia Civil de Mato Grosso iniciou investigação para apurar quem produziu e disseminou o conteúdo. Conforme relatado pela vereadora, ela chegou a conversar com o delegado responsável pelas apurações.

Segundo informações divulgadas por portais regionais, celulares chegaram a ser apreendidos para análise e o material estaria sendo examinado por setores de inteligência da polícia, que buscam identificar os responsáveis pela criação e compartilhamento das imagens.

A parlamentar afirmou que o episódio revela um novo tipo de violência digital, impulsionado pelo uso indevido de ferramentas tecnológicas capazes de manipular imagens e vídeos com aparência real.

“O que aconteceu expõe problemas sociais que começam a surgir com o uso da inteligência artificial. Precisamos falar sobre isso e proteger as vítimas”, disse.

Ela também prestou solidariedade às meninas e às famílias afetadas, destacando que a responsabilidade pelo ocorrido recai sobre quem produziu e divulgou o material.

“Isso não diz nada sobre vocês, diz muito sobre quem fez isso”, afirmou.

As investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Civil. Após a conclusão das diligências, o caso deverá ser encaminhado ao Judiciário para eventual responsabilização criminal dos envolvidos.

Pela legislação brasileira, produzir, armazenar ou divulgar material sexual envolvendo menores de idade é crime, mesmo quando as imagens são manipuladas digitalmente. A pena pode incluir prisão e outras sanções previstas no Código Penal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).