Flávia diz que Wanderley não assume Prefeitura mesmo sem vice e dispara: “só se eu morrer”

Flávia diz que Wanderley não assume Prefeitura mesmo sem vice e dispara: “só se eu morrer” GIOVANI FERREIRA

A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), reagiu ao avanço político do presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB), e afirmou que ele só assumirá a Prefeitura em caso de sua morte.

A declaração foi feita nesta quinta-feira (2), ao ser questionada sobre o papel do chefe do Legislativo após a saída do vice-prefeito. Moretti fez questão de afastar qualquer interpretação de que Wanderley tenha status de substituto direto no dia a dia da gestão.

“O cargo de vice está vago. Ele não tomou posse como vice. Ele só assume se eu morrer”, afirmou.

A fala não ocorre isoladamente. Ela vem no momento em que o cenário político da cidade muda com a renúncia de Tião da Zaeli (PL), que rompeu com a prefeita alegando abandono de compromissos de campanha e mudança no perfil da gestão, com abertura para nomes ligados ao grupo do ex-prefeito Kalil Baracat.

Com a cadeira de vice desocupada, o presidente da Câmara passou a ser o primeiro na linha sucessória em caso de afastamento da prefeita, o que elevou o peso político de Wanderley dentro da estrutura de poder do município.

Esse movimento é o pano de fundo da declaração.

Nos bastidores, a avaliação é de que a fala de Flávia é uma resposta direta ao espaço que o presidente da Câmara passou a ocupar após a ruptura com o vice e à leitura de que ele teria se tornado uma espécie de “plano B” institucional.

O desgaste entre os dois já vinha em escalada. A crise ganhou novo capítulo após uma fala de Wanderley no plenário, interpretada como ofensiva à prefeita, ao usar expressão associada a “leitear”, o que levou o grupo político de Moretti a reagir.

O PL pediu a cassação do mandato do vereador, enquanto a prefeita ingressou na Justiça com queixa-crime por injúria agravada, além de ação por danos morais.

Na peça, Moretti sustenta que as declarações extrapolam o embate político e configuram ataque pessoal, com conteúdo que classifica como desrespeitoso e ofensivo.

Sem um vice no cargo, qualquer afastamento formal da prefeita, ainda que temporário, transfere automaticamente o comando da Prefeitura ao presidente da Câmara. É esse cenário que transforma a disputa política em uma briga direta por espaço institucional.