Pivetta recua do BUD após alerta de custo e reforça BRT como solução para Cuiabá

Pivetta recua do BUD após alerta de custo e reforça BRT como solução para Cuiabá Mayke Toscano/Secom-MT

O governador Otaviano Pivetta recuou do entusiasmo com o Bonde Urbano Digital e colocou o modelo em segundo plano dentro do projeto de mobilidade para Cuiabá. A prioridade do governo voltou a ser o BRT, com prazo mantido para funcionamento até dezembro de 2026.

A mudança ficou evidente nas declarações desta sexta-feira (17), quando Pivetta admitiu que o custo do BUD é elevado e cercado de incertezas. Segundo ele, o problema não está apenas na implantação, mas principalmente na manutenção do sistema.

O alerta veio após um estudo encomendado pelo Palácio Paiaguás apontar que as peças do bonde são exclusivas da empresa fabricante, o que criaria dependência direta e encareceria a operação ao longo do tempo.

“Não é só o custo inicial. Não se sabe quanto custa manter isso rodando. É a empresa que fabrica que tem as peças”, afirmou.

A fala expõe uma preocupação clara dentro do governo em evitar contratos que possam gerar custos imprevisíveis. Nos bastidores, o temor é repetir o histórico do VLT, projeto que consumiu recursos públicos, ficou anos parado e terminou com a venda dos vagões ao governo da Bahia.

Apesar do freio no BUD, Pivetta evitou descartar totalmente o modelo. Disse que nenhuma hipótese está fora da mesa, mas classificou o bonde como a opção menos provável neste momento.

Com isso, o foco da gestão segue concentrado no BRT. As obras na Avenida do CPA avançam em dois trechos, com a meta de entrega ainda neste ano. A estratégia é garantir que o sistema entre em operação até o fim do mandato.

Na prática, o que se vê é uma mudança de direção. O BRT deixa de ser alternativa e passa a ser tratado como solução definitiva, enquanto o BUD perde espaço diante do custo e das dúvidas sobre sua viabilidade.