Master: ex-BRB reclamou com Vorcaro sobre 3 mil documentos de carteiras podres feitos às pressas

Master: ex-BRB reclamou com Vorcaro sobre 3 mil documentos de carteiras podres feitos às pressas Arte/Metrópoles

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa reclamou, em conversa com Daniel Vorcaro, da produção, às pressas, de documentos de carteiras do Banco Master, segundo mensagens inéditas dos executivos obtidas pelo Metrópoles.


“Esses três mil documentos foram todos produzidos agora e são somente as CCBs do Master para o BRB. Não temos clareza do que aconteceu com o tomador original, da documentação da promotora para o cliente. Essa é uma documentação que já deveria existir”, disse Paulo Henrique a Vorcaro, no dia 30 de junho de 2025.

Paulo Henrique foi preso na última quinta-feira (16/4), durante a 4ª fase da Operação Compliance Zero, após a Polícia Federal apontar que o ex-presidente do BRB receberia propina para atuar a favor do Master por meio de seis imóveis que somam R$ 146,5 milhões. A defesa declarou que a prisão era “desnecessária”.

 

Quando Paulo Henrique Costa enviou a mensagem a Vorcaro, o BRB aguardava resposta do Banco Central sobre a aquisição do Banco Master e, em paralelo, já havia adquirido R$ 12 bilhões em carteiras de crédito podres da instituição financeira. Segundo as investigações, o Master fabricou as carteiras em uma empresa de fachada chamada Tirreno e repassou ao BRB. Quando questionado pelo Banco Central, o Master informou que os ativos eram referentes a consignados de duas associações da Bahia vinculadas ao ex-sócio Augusto Lima.

Fragilidade na documentação
Um mês antes de reclamar dos milhares de documentos feitos a toque de caixa, em 2 de maio de 2025, Paulo Henrique disse ao dono do Master que não foram enviados ao BRB “contrato com as associações, lastros de amostras, contrato de auditoria da carteira e repasses ordinários”.


Dois dias depois, em 4 de maio, pediu mais informações. “Precisamos dos itens que combinamos: arquivo com as imagens das CCBs dessa operação, contratos assinados com as promotoras e associações, contrato de auditoria assinado com a Deloitte.”

Horas depois da primeira mensagem, ainda em 4 de maio, o então presidente do BRB relata a Vorcaro que “a operação não vai sair” sem os documentos, diz que estão “correndo risco desnecessário” e que o Banco Central o questionou. Veja:


“Amigo, precisamos dos documentos. A operação não vai sair sem eles. Estamos correndo um risco desnecessário. Na minha avaliação, as equipes deveriam ter feito isso ontem. Bacen está me perguntando do outro lado, se está tudo certo. Precisávamos ter recebido e concluído a análise hoje. A operação não tem mais condições de sair na primeira hora. Precisamos receber, revistar documentos, ter parecer jurídico interno…”

Uma semana depois, em 8 de maio, Paulo Henrique declarou a Vorcaro que não tinha qualquer possibilidade de o BRB fazer mais negócios relacionados às carteiras de crédito “sem resolver os assuntos”: “Zero chance”.


Em 22 de maio, Paulo Henrique volta a conversar com Vorcaro sobre as fragilidades das carteiras compradas pelo BRB. “Fiquei chateado com essa situação das associações. Eu não tinha clareza da falta de documentação”, declarou. O BRB já fazia substituições das carteiras falsas naquela ocasião, e o caso estava em apuração no Banco Central e na PF.

Três dias depois, em 25 de maio, o então presidente do BRB elencou a Vorcaro quais seriam os “próximos passos”. Veja:


“Temos alguns itens fundamentais para os próximos passos:

– nova carteira para substituição de cessões
– contratos de cessão faltantes entre Tirreno e Master
– de acordo e assinatura da Tirreno no contrato de recompra
– envio do analítico do mês de abril das cessões já realizadas
– WTN devolver o contrato com a concordância para abertura de conta corrente
– Certidão de inteiro Teor das CCBs (do sistema de escrituração)
– Cláusula de mandato: cliente -> Tirreno e Tirreno -> Banco Master
– Comprovante de averbações (telas)”.


A relação entre o BRB e o Master começou em 2024. Mas foi no primeiro semestre de 2025 que o BRB intensificou a aquisição de carteiras do Master – quase a totalidade é apontada como falsa pela PF.

Segundo as investigações, o Master forjou carteiras que teriam sido originadas na Tirreno somente para justificar a ingestão de recursos do BRB no caixa para reforçar a liquidez.


Ao mesmo tempo, o BRB tentou comprar o próprio Master, operação que foi barrada pelo BC em setembro de 2025.