Na operação mais letal da história do RJ, 17% dos PMs retiraram as câmeras corporais

Na operação mais letal da história do RJ, 17% dos PMs retiraram as câmeras corporais Philippe Lima/Gov RJ

Um levantamento feito pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF) revelou que pelo menos 17,6% dos policiais do Bope que atuaram na operação mais letal do Rio de Janeiro, a Operação Contenção, retiraram intencionalmente as câmeras corporais. O levantamento ainda é parcial e foi divulgado no início de maio.


Além dos 17,6% que retiraram as câmeras, 7,8% obstruíram intencionalmente as imagens. A análise foi feita com câmeras corporais de 51 policiais do Bope. O MPRJ afirmou que o relatório ainda é parcial porque não foi possível analisar todas as 3.600 horas de gravações do efetivo total, que contou com mais de 2 mil policiais.


Um levantamento do próprio MPRJ, divulgado um mês após a operação, destacou que mais da metade dos policiais do Bope e da Core não utilizou câmeras corporais no dia.


As câmeras dos policiais do Bope foram as primeiras a serem analisadas devido à presença predominante dos militares na mata no entorno do Complexo do Alemão, local em que foi encontrada a maior parte dos cadáveres no dia da Operação Contenção.

O MP do Rio ressaltou que a apuração do material ainda não está “completamente exaurida” e que as imagens das câmeras corporais dos policiais militares e dos policiais civis ainda serão analisadas, ou seja, o número de obstrução e retirada de câmeras corporais ainda pode aumentar.

Segundo o levantamento, em 82,4% das análises realizadas até agora houve “conformidade” quanto ao uso das câmeras corporais; em 11,8% das imagens registradas aparecem pessoas feridas, e não houve gravação de prisões.

A Operação Contenção foi a mais letal da história do Rio de Janeiro: 121 mortos, sendo 4 policiais e 117 civis. Com um efetivo de mais de 2 mil militares, 113 pessoas foram presas, mas o alvo principal, o traficante Doca, conseguiu escapar.