Na Marcha Para Jesus, Flávio fala em “expulsar o mal do governo”

Na Marcha Para Jesus, Flávio fala em “expulsar o mal do governo” Jessica Bernardo/Metrópoles

Pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou em breve discurso feito na Marcha Para Jesus, nesta quinta-feira (4/6), em São Paulo, que o evento é uma resposta ao “mundo do mal”, que estaria no comando do governo brasileiro.


“Vamos orar pelo nosso Brasil. Esta guerra é espiritual, e hoje é a maior resposta que nós podemos dar ao mundo do mal, que vai ser expulso do governo deste Brasil este ano. Em nome do nosso Senhor Jesus, amém”, disse Flávio aos fiéis.


Esta é primeira vez que Flávio participa da marcha, que está na sua 34ª edição. Mais cedo, em entrevista aos organizadores do evento, o senador reforçou a mensagem de “guerra espiritual” e disse que gostaria que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), estivesse presente.


“Às vezes, a gente acorda com o coração meio apertado, tem que ajoelhar e pedir a Deus para dar aquela força e alegria no coração. E hoje é um dia que está explodindo aqui. Queria muito que meu pai estivesse aqui presente, mas vamos lutar por ele”, disse o senador em entrevista à organização da marcha, feita em cima de um trio elétrico.

Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar, em Brasília. Ele foi condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

A atual edição da Marcha Para Jesus reúne autoridades, como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), além de diversos parlamentares. Também estão presentes o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o advogado-geral da União, Jorge Messias, que recentemente teve sua indicação ao Supremo rejeitada pelo Senado.


A 34ª Marcha para Jesus marca o “reencontro” público entre Tarcísio e Flávio. Nas últimas semanas, Tarcísio vinha mantendo “distanciamento estratégico” do senador, desde que veio à tona o áudio em que Flávio cobra dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso pelo escândalo do Banco Master.


Retorno a SP
Flávio retorna a São Paulo depois de cumprir agenda em Minas Gerais, de segunda-feira (1º/6) à quarta (3/6). Durante os três dias, o pré-candidato recebeu o título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte na Câmara Municipal, visitou pontos turísticos da capital mineira e estendeu viagem até Contagem, Betim e Patos de Minas, na região do Alto Paranaíba.


O senador esteve no estado em meio às negociações da direita para 2026 e à disputa de influência com grupos ligados aos pré-presidenciáveis Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Minas é visto como um estado-chave para a eleição presidencial, e a viagem foi interpretada como parte da construção de seu palanque nacional.

O filho de Jair Bolsonaro busca evitar que a crise causada pela ameaça dos Estados Unidos em taxar o Brasil cause desgaste à sua pré-campanha, tentando se desassociar das possíveis sanções comerciais.


Nesta semana, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu duas investigações com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 sobre supostas práticas desleais do Brasil e recomendou tarifas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros. Os relatórios foram divulgados cerca de uma semana após encontro do senador com o presidente Donald Trump, na Casa Branca.

“Tariflávio”
As novas tarifas ainda precisam passar por etapas internas e dependem do aval de Trump, podendo substituir o tarifaço anunciado no ano passado.


O Palácio do Planalto atribui o movimento à atuação da família do ex-presidente. Nas redes sociais, aliados do governo passaram a usar o termo “Tariflávio” para associar o senador às medidas.

Nos últimos dias, Lula intensificou as críticas à oposição e, nessa quarta-feira (3/6), durante reunião ministerial, acusou adversários de articularem sanções contra o Brasil por interesses eleitorais. Lula chamou Flávio de “traidor da pátria”.