Conselheiro Antônio Joaquim pede intervenção imediata no DAE de VG

Conselheiro Antônio Joaquim pede intervenção imediata no DAE de VG ALAIR RIBEIRO/TCEMT

O conselheiro Antônio Joaquim, do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), emitiu dois novos ofícios (478 e 479 de 2026) reiterando o pedido de intervenção estadual no Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE/VG). Os documentos foram enviados na quinta-feira (2) ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e ao Procurador-Geral de Justiça, Rodrigo Fonseca Costa. A medida é fundamentada no descumprimento contínuo das decisões do tribunal e na precariedade dos serviços de abastecimento de água no município.

A medida é um desdobramento do Acórdão nº 617/2025 - PP, proferido por unanimidade pelo Plenário do TCE em 25 de novembro de 2025. Na ocasião, o Tribunal julgou irregulares as contas de 2023 da autarquia, período em que o município era governado por Kalil Baracat (MDB) e o DAE era presidido por Carlos Alberto Simões de Arruda.

Entre os graves apontamentos herdados pela atual gestão, destacam-se a ausência de empenho de faturas de energia elétrica, que resultaram em uma dívida consolidada de R$ 172,2 milhões com a Energisa, a omissão na inscrição e cobrança de R$ 158,8 milhões em dívida ativa e a falta de escrituração de R$ 143,9 milhões em precatórios judiciais. O acórdão também citou a existência de mais de 1.500 ações judiciais em andamento contra a autarquia. Mesmo após recursos, o TCE manteve a decisão sem efeito suspensivo.

Enquanto o órgão de controle pressiona pelo cumprimento das decisões para restaurar o equilíbrio financeiro da autarquia, a atual prefeita, Flávia Moretti (PL), busca no governo estadual o suporte para obras que o município, por conta própria, não consegue viabilizar devido ao rombo histórico. Em entrevista ao Jornal do Meio-Dia nesta sexta-feira (03), no Palácio Paiaguás, Moretti reconheceu abertamente a fragilidade do caixa municipal ao afirmar que possui “condições financeiras precárias”, justificando o aporte de R$ 54 milhões em novos convênios estaduais.

“O governo do Estado, eu falo que é o paizão de Várzea Grande, abraçando Várzea Grande como uma filha”, disse a prefeita sobre o apoio.

A cobrança pela intervenção em julho de 2026 evidencia que, embora as irregularidades tenham sido consolidadas em administrações passadas, os problemas estruturais do saneamento e o endividamento crônico do DAE/VG permanecem sem solução definitiva, penalizando a população local. Como estratégia de governança diante da crise fiscal, a prefeita defende a execução de obras pelo Estado por meio de consórcios, evitando trâmites licitatórios municipais para acelerar entregas como o Mercado Municipal e frentes de pavimentação.

“Eu optei por isso porque, para ser mais rápido, foi uma opção minha como gestora”, declarou Moretti. O cenário desafiador caminha em paralelo com as exigências do TCE-MT. Que, por meio de uma Tomada de Contas instaurada, segue fiscalizando a capacidade do município de reverter o histórico desrespeito às normas contábeis e orçamentárias que afundaram a autarquia.

Com o envio dos novos ofícios, o Tribunal de Contas deixa claro que a “elevada relevância institucional e social” da crônica falta de água em Várzea Grande não admite mais esperas, cobrando das autoridades estaduais o ajuizamento imediato da ação de intervenção.

 

COM GAZETA DIGITAL