Em 30 dias de campanha candidatos ao Senado já gastam mais de R$ 10 milhões

Em 30 dias de campanha candidatos ao Senado já gastam mais de R$ 10 milhões REPRODUÇÃO

A corrida eleitoral pelas duas vagas de Mato Grosso no Senado Federal já movimentou cifras milionárias na engrenagem das principais candidaturas. Um levantamento com base nas prestações de contas parciais enviadas à Justiça Eleitoral revela que, em apenas 30 dias de campanha, os candidatos já contrataram mais de R$ 12 milhões em despesas, expondo estratégias de marketing e fôlegos financeiros bastante discrepantes na disputa pelo voto do eleitorado mato-grossense.

O topo do ranking de gastos é liderado pela senadora Margareth Buzetti (PP), que registrou R$ 2,607 milhões em despesas. Logo atrás figura o deputado federal José Medeiros (PL), com um investimento acumulado de R$ 2,535 milhões. Outros quatro concorrentes majoritários também romperam a barreira do R$ 1,5 milhão em despesas: Pedro Taques (PSB) com R$ 1,8 milhão; Janaina Riva (MDB) com R$ 1,7 milhão; o ex-governador Mauro Mendes (União) com R$ 1,5 milhão; e Carlos Fávaro (PSD), que contabiliza R$ 1,5 milhão. No extremo oposto, candidaturas de menor estrutura operam com orçamentos modestos: Antonio Galvan (Avante) gastou R$ 414 mil, Coronel Darwin (Democrata) registrou R$ 35,2 mil, Beny Godoy (Agir) declarou R$ 11,5 mil e o Professor Nelson Ferreira (Agir) aparece na lanterna com apenas R$ 1 mil em custos.

Onde os líderes investem o dinheiro?

Os dados detalhados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) demonstram como cada comitê central desenhou sua estratégia de comunicação para alcançar o eleitorado:

Margareth Buzetti (PP): Concentra o foco no marketing eletrônico de massa. A candidata destinou R$ 1,18 milhão (45,25% do total) estritamente para a produção de programas de rádio, televisão e peças de vídeo. Outros R$ 943,7 mil foram aplicados em serviços prestados por terceiros.
José Medeiros (PL): Aposta fortemente no corpo a corpo e no engajamento digital. O candidato direcionou R$ 688 mil para mobilização de rua e equipes de militância, além de injetar R$ 500 mil em impulsionamento de conteúdos nas redes sociais e desembolsar R$ 500 mil com assessoria jurídica e advocatícia.
Pedro Taques (PSB): Tem como principal gargalo o pagamento de prestadores de serviços terceirizados, rubrica que consumiu R$ 1,004 milhão (54,58% de suas despesas). Gastos advocatícios somaram R$ 150 mil, enquanto R$ 300 mil aparecem classificados em despesas diversas.
Janaina Riva (MDB): Registra uma saída de caixa de R$ 1,756 milhão, sendo a maior fatia destinada a serviços de terceiros (R$ 883 mil). A emedebista também declarou R$ 213 mil em serviços contábeis, R$ 193,6 mil com logística de transporte ou deslocamento e R$ 150 mil em tráfego pago na internet.
Mauro Mendes (União): Investiu R$ 400 mil em serviços de terceiros, seguidos por R$ 365,4 mil na confecção de materiais impressos para panfletagem e R$ 275 mil no impulsionamento digital. A produção de rádio e TV consumiu R$ 155 mil de sua arrecadação.
Carlos Fávaro (PSD): Apresenta uma divisão focada no suporte legal e na militância. O candidato gastou R$ 340 mil com serviços advocatícios, R$ 321,5 mil com equipes de rua e R$ 255 mil em publicidade digital, além de R$ 140,9 mil em adesivaço e R$ 130 mil em folha de pagamento de pessoal.
Divisão entre as campanhas modestas

Na ala que opera sem os grandes aportes dos fundos partidários majoritários, os investimentos priorizam o material de rua tradicional. O produtor rural Antonio Galvan aplicou R$ 195,9 mil em impressos — quase metade de todo o seu orçamento de R$ 414 mil —, separando R$ 120,2 mil para as redes sociais e R$ 84,6 mil para terceirizados.

Coronel Darwin utilizou a totalidade de seus R$ 35,2 mil na confecção de santinhos e panfletos, caminho similar ao de Beny Godoy, que usou R$ 6,5 mil em impressos e R$ 5 mil em contabilidade. Já o Professor Nelson Ferreira registrou o gasto mínimo unicamente para cumprir as obrigações de balanço da campanha, destinando seu único R$ 1 mil para os serviços contábeis regulamentares.

COM GAZETA DIGITAL