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A Câmara Municipal de Várzea Grande volta ao noticiário por um episódio de violência dentro de suas próprias dependências. Desta vez, uma briga envolvendo três mulheres ligadas à estrutura do Legislativo terminou em agressões físicas, intervenção da Guarda Municipal e encaminhamento das envolvidas à Central de Flagrantes, ontem (3). A confusão amplia a sequência de acontecimentos que têm colocado a Casa sob os holofotes, em meio a investigações policiais e questionamentos sobre as articulações políticas em torno da Mesa Diretora.
A ocorrência foi registrada por volta das 11h50, pouco depois do encerramento de uma sessão legislativa. Conforme o boletim de ocorrência, guardas municipais que faziam a segurança do prédio ouviram gritos em um dos corredores e, ao verificarem a situação, encontraram duas mulheres em vias de fato. Servidores que estavam no local precisaram intervir para separar as envolvidas.
O episódio envolveu uma funcionária da Câmara, a irmã dela e outra mulher que também trabalha no Legislativo. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra parte da confusão. Nas imagens, uma das mulheres aparece arrancando um tufo de cabelo da outra, enquanto pessoas próximas tentam conter as agressões.
Depois do tumulto, a funcionária e a irmã seguiram até um ponto de ônibus nas proximidades da Prefeitura. A Guarda Municipal acompanhou as duas e solicitou apoio de outra equipe. Com a chegada do reforço, as envolvidas foram conduzidas à Central de Flagrantes, no bairro Cristo Rei.
HISTÓRICO DE CONFLITOS
Na delegacia, as mulheres apresentaram versões diferentes sobre o ocorrido. Segundo o registro policial, havia um desentendimento anterior entre as envolvidas, inclusive com boletim de ocorrência registrado em 28 de outubro.
Durante o atendimento, foram apresentados objetos que teriam relação com as agressões. Uma das mulheres entregou um brinco e duas tarraxas aos guardas. Outra apresentou um tufo de cabelo supostamente arrancado durante a briga e um óculos escuro pertencente à outra envolvida.
Duas testemunhas que presenciaram a confusão também se apresentaram voluntariamente para prestar esclarecimentos. O prédio da Câmara possui câmeras de segurança que poderão auxiliar na apuração.
OPERAÇÃO E SUSPEITAS
O novo episódio ocorre poucas semanas depois da Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), que atingiu vereadores de Várzea Grande e Cuiabá. A investigação apura suspeitas de corrupção e compra de apoio político nas articulações para a eleição da Mesa Diretora da Câmara várzea-grandense.
A operação cumpriu mandados de busca e apreensão contra 13 vereadores de Várzea Grande e dois de Cuiabá, além de servidores. A representação criminal menciona relatos de um suposto pagamento mensal de R$ 10 mil para garantir apoio à reeleição do presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB).
Os documentos também fazem referência a gravações clandestinas e cartas de renúncia que, segundo relatos apresentados aos investigadores, seriam utilizadas como instrumento de pressão sobre parlamentares.
Wanderley confirmou que seu escritório foi alvo de buscas, mas afirmou desconhecer o conteúdo da investigação.
A briga registrada nesta terça-feira não tem relação comprovada com a operação policial. Os episódios, contudo, mantêm a Câmara de Várzea Grande no centro de uma sucessão de notícias envolvendo conflitos, investigações e questionamentos sobre o funcionamento do Legislativo.
A ocorrência envolvendo as três mulheres foi encaminhada à autoridade policial, que deverá apurar as circunstâncias das agressões e as responsabilidades dos envolvidos.
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