Investigador é indiciado por estupro e abuso de autoridade após exame apontar compatibilidade genética

Investigador é indiciado por estupro e abuso de autoridade após exame apontar compatibilidade genética Divulgação

A Polícia Civil de Mato Grosso concluiu o inquérito que apurava a denúncia de abuso sexual contra uma detenta na Delegacia de Sorriso e indiciou o investigador Manoel Batista da Silva, de 52 anos, pelos crimes de estupro e abuso de autoridade. O indiciamento ocorreu após a confirmação pericial de compatibilidade genética entre o servidor e o material biológico coletado da vítima.

De acordo com a apuração, o crime teria ocorrido no interior da unidade policial enquanto a mulher estava custodiada, presa temporariamente por suspeita de envolvimento em um homicídio. A denúncia chegou ao conhecimento das autoridades após requisição do Ministério Público de Mato Grosso, ainda na primeira quinzena de dezembro de 2025, o que levou à abertura imediata de inquérito.

No curso das investigações, a Polícia Civil ouviu outras detentas que dividiam cela com a vítima, além de policiais que estavam de plantão na delegacia no período apontado. Paralelamente, foram solicitados exames periciais, incluindo a coleta e análise de material genético, que se tornaram decisivos para o avanço do caso.

Com base no laudo pericial, a Delegacia de Sorriso representou pela prisão preventiva do investigador, além de medidas como busca e apreensão e quebra de sigilo de dados telefônicos. Os pedidos foram deferidos pelo Judiciário e cumpridos no último domingo, resultando na prisão do servidor.

Após passar por audiência de custódia, o policial civil foi encaminhado para a Cadeia Pública de Chapada dos Guimarães, onde permanece à disposição da Justiça.

Além da esfera criminal, a Polícia Civil de Mato Grosso instaurou procedimento administrativo disciplinar por meio da Corregedoria-Geral para apurar a conduta funcional do investigador. Em nota, a instituição reiterou que não compactua com desvios de conduta e que casos envolvendo servidores são apurados com rigor.

A delegada-geral Daniela Maidel afirmou que o episódio é tratado como isolado e reforçou que a Polícia Civil atua com base na legalidade e no respeito aos direitos humanos, inclusive quando os suspeitos pertencem aos seus próprios quadros.

A vítima teve a prisão temporária revogada durante as investigações e passou a responder em liberdade. No entanto, posteriormente, foi expedido novo mandado de prisão preventiva contra ela pelos crimes de tortura e organização criminosa. Atualmente, a mulher é considerada foragida.