Dia Nacional do Teste do Pezinho é celebrado neste sábado (06/06); pediatra do Hospital e Maternidade Femina fala da importância do exame
O Teste do Pezinho, principal exame de triagem neonatal realizado no Brasil, completa 50 anos em 2026. A data marca meio século de uma das mais importantes estratégias de saúde pública voltadas ao diagnóstico precoce de doenças genéticas, metabólicas e raras em recém-nascidos. Neste contexto, o Dia Nacional do Teste do Pezinho, celebrado neste sábado (06/06), reforça a importância da conscientização de famílias e profissionais de saúde sobre a realização do exame nos primeiros dias de vida do bebê.
Realizado por meio da coleta de gotas de sangue do calcanhar do recém-nascido, o exame deve ser feito entre o 3º e o 5º dia de vida, conforme recomendação do Ministério da Saúde. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), seguindo as diretrizes do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), o teste permite identificar doenças como fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, fibrose cística, anemia falciforme e outras hemoglobinopatias, hiperplasia adrenal congênita, deficiência de biotinidase e toxoplasmose congênita.
A triagem neonatal começou a ser implantada no Brasil em meados da década de 1970 e representou um avanço significativo para a saúde pública ao possibilitar o diagnóstico de doenças graves antes mesmo do surgimento dos sintomas. Instituições como o Instituto Jô Clemente (IJC), antiga APAE de São Paulo, tiveram papel pioneiro na introdução do exame no país, contribuindo para ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento oportuno.
Ao longo das últimas décadas, o Teste do Pezinho tornou-se uma ferramenta essencial para reduzir complicações e mortes evitáveis na infância. Quando identificadas precocemente, muitas doenças podem ser controladas ou tratadas de forma eficaz, garantindo melhor qualidade de vida às crianças e suas famílias.
Para a médica Fernannda Pigatto Vilela, pediatra e neonatologista do Hospital e Maternidade Femina, em Cuiabá, o exame é fundamental para a saúde pública e para o desenvolvimento saudável dos recém-nascidos.
“Algumas doenças, quando detectadas logo no início da vida da criança, permitem que o bebê tenha acesso ao tratamento de forma assertiva, prevenindo complicações e, em alguns casos, sequelas irreversíveis que podem levar ao óbito. Por isso, o principal objetivo de realizar o teste do pezinho entre o 3º e o 5º dia de vida é justamente esse”, explica.
Além da versão básica disponibilizada pelo SUS, o Teste do Pezinho conta com modalidades ampliadas capazes de identificar dezenas de doenças raras e graves, chegando a mais de 50 enfermidades em alguns casos.
No entanto, o acesso à triagem ampliada ainda varia conforme a estrutura disponível em cada estado, o que pode gerar desigualdades no atendimento entre as redes pública e privada.
Fernannda destaca que a informação e a conscientização são fundamentais para garantir que todos os recém-nascidos tenham acesso ao exame dentro do prazo recomendado.
“Infelizmente, em algumas regiões, a dificuldade de acesso ao profissional impacta diretamente na realização do exame. Isso cria uma cadeia de problemas: a família não recebe a informação adequada, o exame não é coletado no tempo certo, o diagnóstico não é feito precocemente e o bebê pode não receber o tratamento necessário a tempo”, alerta.
Segundo a especialista, muitas das doenças detectadas pelo Teste do Pezinho não apresentam sinais clínicos nos primeiros dias de vida, o que torna a triagem ainda mais importante.
“Esse teste salva muitas vidas. Um exemplo é o hipotireoidismo congênito, que, quando detectado precocemente, permite que o bebê receba um tratamento simples e de baixo custo. Com isso, a criança pode ter uma vida completamente normal. No entanto, se o diagnóstico e o tratamento não forem realizados a tempo, o bebê poderá desenvolver consequências neurológicas graves e irreversíveis, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento cognitivo”, reforça.
A médica avalia ainda que as campanhas educativas têm contribuído para ampliar o conhecimento da população sobre o exame e sua importância.
“Acredito que, com as campanhas educativas, estamos conseguindo desmistificar o assunto. A orientação dada pelo profissional de saúde, especialmente o pediatra, à família no momento do nascimento, é fundamental. Quando a mãe é bem acolhida e recebe informações claras sobre a importância do teste, a adesão é muito maior”, conclui.
Especialistas ressaltam que o fortalecimento das ações de conscientização continua sendo um dos principais caminhos para ampliar a cobertura da triagem neonatal e garantir que mais crianças tenham acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado, reduzindo o risco de sequelas e promovendo um desenvolvimento saudável desde os primeiros dias de vida.
Sobre o Hospital e Maternidade Femina
Com mais de 45 anos de atuação, o Hospital e Maternidade Femina é referência em Pediatria, Obstetrícia, Ginecologia e Pronto Atendimento em Cuiabá, com funcionamento 24 horas. A unidade oferece atendimento de alta complexidade, com UTIs adulta, neonatal e pediátrica, além de laboratórios de análises clínicas, mantendo o compromisso com a segurança e a qualidade da assistência à saúde.
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