Brasil busca alinhar regras sanitárias para preservar mercado bilionário da União Europeia

Brasil busca alinhar regras sanitárias para preservar mercado bilionário da União Europeia Pixabay

    Diante das recentes discussões envolvendo a comercialização da carne bovina brasileira na União Europeia, o setor produtivo nacional deu um importante passo para reforçar a confiança internacional na proteína animal produzida no país.

    A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) solicitaram ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) a ampliação das restrições ao uso de antimicrobianos na produção animal. A iniciativa tem como principal objetivo fortalecer as relações comerciais entre o Brasil e a União Europeia, um dos mercados mais exigentes e estratégicos do mundo.

    Com um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em cerca de US$ 17 trilhões, o bloco europeu representa aproximadamente 19% da economia global e continua sendo um destino de grande relevância para as exportações brasileiras de proteína animal. Na cadeia da carne bovina, a proposta prevê a ampliação das restrições já existentes para antimicrobianos utilizados como melhoradores de desempenho. Entre as substâncias que podem passar a ter uso limitado estão monensina sódica, salinomicina, lasalocida e narasina, além de produtos que já possuem restrições regulatórias, como avoparcina, bacitracina, bacitracina de zinco, bacitracina metileno disalicilato e virginiamicina.

    O movimento ocorre em um momento de intensificação das negociações entre Brasil e União Europeia sobre critérios sanitários e exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal. A adequação das normas brasileiras aos referenciais internacionais é vista pelo setor como uma medida estratégica para garantir a manutenção do acesso a mercados de alto valor agregado e evitar barreiras comerciais futuras. Segundo as entidades, o fortalecimento das regras sanitárias nacionais contribuirá significativamente para a imagem do Brasil como fornecedor confiável de alimentos, reforçando a credibilidade do país perante compradores internacionais.

    Além disso, a harmonização das exigências regulatórias tende a ampliar a competitividade da carne brasileira, agregando valor às exportações e consolidando a presença nacional em mercados que remuneram melhor pela qualidade, rastreabilidade e segurança dos produtos.Mais do que uma adequação regulatória, a medida demonstra a capacidade do setor agropecuário brasileiro de se adaptar às demandas globais, transformando desafios comerciais em oportunidades para ampliar mercados, fortalecer a reputação sanitária do país e impulsionar ainda mais as exportações do agronegócio brasileiro.