Mesmo com perda de livros e materiais da pasta de educação, Sérgio Ricardo garante que investigação continua

Mesmo com perda de livros e materiais da pasta de educação, Sérgio Ricardo garante que investigação continua FOTO SECOM VG

Em vistoria técnica às ruínas do Anexo 1 da Secretaria Municipal de Educação (Smecel), ontem (18), o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, afirmou que as investigações sobre a compra, armazenamento e possível desperdício de materiais didáticos no estado serão aprofundadas, mesmo após o incêndio que destruiu o depósito da Educação de Várzea Grande.

O conselheiro afirmou que há indícios de um esquema que, segundo ele, se estende por diversos municípios mato-grossenses há anos. Sérgio Ricardo declarou que uma "grande quadrilha" teria se infiltrado em Mato Grosso para vender livros e materiais didáticos desnecessários ao poder público, gerando compras em larga escala e acúmulo de exemplares sem utilização.

Segundo o presidente do TCE, as suspeitas não se limitam às gestões atuais e envolvem apurações em prefeituras e também na Secretaria de Estado de Educação (Seduc).

“Foi um ataque de uma grande quadrilha que se infiltrou em Mato Grosso para vender livros. E venderam toneladas e toneladas de livros. Livros desnecessários”, disse.

Durante a fiscalização no galpão atingido pelo fogo, Sérgio afirmou que recebeu denúncias indicando que materiais pedagógicos novos estariam sendo escondidos ou descartados para dificultar a identificação de possíveis irregularidades relacionadas à aquisição dos produtos. Diante desse cenário, ele revelou que o Tribunal possui novas frentes de investigação.

"Tem muitos livros escondidos em salas de aulas, em colégios. Ontem eu recebi uma vereadora de Água Boa. Denunciaram para ela e ela descobriu que num lixão eles iam queimar um monte de livros. Ela foi lá e encontrou livros todos no plástico ainda que iam ser picotados", afirmou.

A denúncia reforça a linha de investigação já aberta pelo TCE em municípios como Cuiabá, Rondonópolis e também na Seduc. Na capital, a auditoria teve início após questionamentos sobre aquisições de materiais didáticos que poderiam ultrapassar R$ 80 milhões, enquanto os procedimentos em andamento buscam verificar a necessidade, a qualidade, o volume e os custos dos materiais adquiridos.

"Nós não vamos parar. Uma das razões que me fez vir aqui é esse incidente, esse acidente, essa questão dos livros. As coisas não estão ainda terminadas. Não vou te dizer nada porque nossos auditores e técnicos estão analisando tudo. Aquilo que o Tribunal começa, ele termina. Tudo vai ser colocado em pratos limpos", declarou.

O incêndio que motivou a vistoria destruiu completamente o galpão localizado no bairro Marajoara, em Várzea Grande, na noite de quarta-feira (17). As chamas mobilizaram equipes do Corpo de Bombeiros, que atuaram para impedir que o fogo atingisse um posto de combustíveis vizinho. A Prefeitura de Várzea Grande informou que colabora com as investigações e aguarda o laudo pericial que deverá apontar se as causas do incêndio foram acidentais ou criminosas.

 

COM HNT