Sindicato consegue anulação de votação secreta da ALMT que barrou aumento da categoria

Sindicato consegue anulação de votação secreta da ALMT que barrou aumento da categoria ALMT

Em uma dura derrota para a articulação governista, o Judiciário mato-grossense invalidou o ato parlamentar que havia salvado o veto de Mauro Mendes (União) ao reajuste de 6,83% da categoria.

Ao julgar o mérito da ação de forma unânime, os magistrados entenderam que a votação secreta feriu preceitos constitucionais de transparência. Agora, os deputados estaduais serão obrigados a mostrar o voto em plenário, jogando forte pressão política sobre a base do Palácio Paiaguás.

​A ordem atende a um mandado de segurança coletivo impetrado pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso (Sinjusmat). A entidade sindical contestou a legalidade da votação secreta ocorrida na sessão legislativa do dia 3 de dezembro de 2025.

​No voto, o relator, desembargador Márcio Vidal, destacou que o sigilo das deliberações de vetos fere o princípio constitucional da publicidade e a soberania popular.

​"A deliberação por meio de voto secreto atenta diretamente contra os princípios da publicidade, da transparência e da soberania popular, desfazendo o vínculo de responsabilidade política que deve existir entre os parlamentares e a sociedade", sustentou o magistrado em trecho do acórdão.

​A decisão fixou ainda que o sigilo adotado pela Casa de Leis configurou vício gravíssimo na tramitação legislativa.

​"A deliberação fundada em norma inconstitucional contamina de nulidade o ato processual praticado, impondo-se a sua renovação pelo meio constitucionalmente adequado", apontou o relator, assegurando que o direito dos servidores restringe-se ao "devido processo legislativo, com a realização de votação aberta, e não a um resultado político determinado".

 

COM GAZETA DIGITAL