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Diálogos interceptados pela Polícia Federal (PF) revelaram que a lobista Roberta Luchsinger planejava lucrar 20% sobre um contrato milionário de cannabis medicinal com o governo federal, estimado em R$ 626 milhões, que era estruturado em parceria com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O caso integra um dos inquéritos criminais que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo o filho do presidente.
As mensagens mostram que o grupo de Roberta Luchsinger formalizou um pedido de proposta jurídica ao escritório do advogado Otto Medeiros, profissional que atua em Cuiabá (MT), para auxiliar na articulação e na viabilização do negócio junto à administração pública. Nas conversas, a lobista descreve Medeiros como alguém "bem influente" e chega a se referir a ele como "sócio" do ministro Kassio Nunes Marques, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em resposta ao jornal O Estado de S. Paulo, o ministro Nunes Marques rechaçou qualquer vínculo comercial com o advogado, afirmando que nunca foi sócio de Otto Medeiros em nenhum tipo de empreendimento. Embora confirme uma antiga relação de amizade pessoal, o magistrado destacou que, por critérios de foro íntimo e transparência, se declara impedido de julgar qualquer processo que chegue ao STF sob o patrocínio do defensor mato-grossense.
Apesar das intensas movimentações de Roberta — que incluíram o envio de minutas contratuais para o ex-chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola —, o Ministério da Saúde informou oficialmente que a proposta bilionária não prosperou. Segundo a pasta, os processos técnicos internos não deram andamento ao pleito e "nunca houve a possibilidade de contratar" os produtos de canabidiol sob as condições ofertadas pelo grupo investigado.
COM REPORTER MT/ ESTADÃO
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