REPRODUÇÃO
A Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande, sob a presidência do vereador Wanderley Cerqueira (MDB), encaminhou oficialmente à Comissão de Ética Parlamentar a representação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) contra o vereador Rogério de França Martins, conhecido como Rogerinho Dakar.
O procedimento visa apurar a conduta do parlamentar após a ampla circulação de um vídeo em que ele aparece manuseando e recebendo grandes maços de dinheiro em espécie. A medida atende a uma recomendação expressa do órgão ministerial enviada ao Legislativo.
A representação foi formulada pela 1ª Promotoria de Justiça Cível de Várzea Grande, braço do Ministério Público especializado na Defesa da Probidade Administrativa e do Patrimônio Público. O documento que disparou a ação interna na Câmara foi assinado pela promotora de Justiça Taiana Castrillon Dionello. A iniciativa faz parte de um inquérito civil em andamento que busca rastrear a origem lícita ou ilícita, a natureza jurídica e as circunstâncias políticas envolvidas no recebimento dos valores que aparecem nas imagens gravadas.
O foco das investigações do Ministério Público ganha peso devido ao histórico recente do parlamentar no município. Antes de exercer o mandato na Câmara de Várzea Grande, Rogerinho Dakar ocupou o cargo de diretor-presidente do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG), uma das autarquias que mais movimentam recursos públicos na cidade. Os promotores buscam esclarecer se o montante em dinheiro flagrado possui qualquer relação com fraudes, propinas ou desvios de finalidade durante sua passagem pelo comando do saneamento municipal.
Com o acolhimento do pedido pelo presidente Wanderley Cerqueira, a Comissão de Ética da Casa de Leis assume a responsabilidade de abrir um processo administrativo disciplinar contra Rogerinho Dakar. O colegiado de vereadores deverá designar um relator para o caso, realizar a coleta de depoimentos e analisar as provas técnicas fornecidas pelo MP. O processo pode resultar em sanções que vão desde uma advertência formal até a perda definitiva do mandato parlamentar por quebra de decoro.
A abertura da investigação interna joga os holofotes sobre a pressão popular por transparência no Legislativo várzea-grandense. O comitê da Comissão de Ética deve estipular os prazos regimentais para que a defesa do vereador apresente suas justificativas formais sobre o vídeo. Até o momento, o parlamento municipal aguarda o avanço das perícias nas imagens compartilhadas para dar andamento aos relatórios que ditarão o futuro político de Dakar na região.
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