Investigação revela rodízio sexual falsas missionárias com líderes de facção em visitas ao presídio

Investigação revela rodízio sexual falsas missionárias com líderes de facção em visitas ao presídio REPRODUÇÃO

Investigações da Polícia Civil de Mato Grosso apontam que integrantes do grupo religioso "Resgatando Vidas", que possuíam autorização para ingressar na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, organizavam um esquema de rodízio sexual com lideranças de uma facção criminosa.

O relatório técnico, elaborado pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), baseou-se em dados extraídos da conta iCloud de uma das investigadas. Conforme os policiais, as conversas provam que as visitas extrapolavam as ações espirituais, envolvendo intimidade física, namoros e interesses financeiros.

Em um dos diálogos interceptados de novembro de 2025, uma das integrantes, Wiara Lima Cadore, detalha como pretendia dividir sua agenda de visitas para não gerar ciúmes ou desentendimentos entre os detentos. “Gata, cada dia eu vou visitar um. (...) Vai ser um por um, para nenhum ficar brigado um com o outro. Então vou visitar todos”, afirmou em áudios e mensagens analisadas pela equipe de investigação, evidenciando o caráter pessoal e afetivo incompatível com a atividade de assistência religiosa institucional.

Outro trecho destacado no inquérito policial expõe o teor dos encontros íntimos ocorridos dentro das dependências do presídio. Ao relatar que havia acabado de deixar a unidade prisional após estar com um detento, Wiara foi questionada por outra participante do grupo, Karolina Lopes Padilha, se uma terceira comparsa havia "segurado a cortina" para ela. A resposta positiva confirmou o deboche e a conotação sexual dos encontros. As mensagens monitoradas revelam que os alvos dos afagos incluíam criminosos de alta periculosidade da facção local, como Pedro Antônio dos Santos (“Pedrinho” ou “Cotonete”), Renildo da Silva Rios (“Velhote” ou “Chapa”) e Luiz Fagner Gomes dos Santos (“Zóio”).

Denúncias e Desdobramentos Jurídicos

A Polícia Civil sustenta que o manto da atividade missionária servia como fachada estratégica tanto para fins afetivos quanto para facilitar a transmissão de ordens e recados de interesse da organização criminosa fora das grades. O principal vetor do esquema girava em torno de Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, apontada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) como peça de extrema proximidade das lideranças máximas do crime organizado em Mato Grosso, incluindo o traficante Jonas Souza Gonçalves Júnior, o “Batman” ou “K9”.

A investigação resultou em denúncia formal contra o núcleo principal envolvido em movimentações financeiras e facilitação de rotinas prisionais, composto por Rhavenna, Renildo, Orminda Carlos de Barcelos Almeida, Rhuan Barcelos da Conceição, Anatany Nina de Barcelos Souza Alves e Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi. Já as participantes flagradas nos diálogos de cunho sexual e de suporte às visitas — Wiara Lima Cadore, Jéssi Mariane Araújo dos Anjos, Karolina Lopes Padilha e Lais Barbosa Lopes — não foram incluídas no processo principal de organização criminosa, sendo indiciadas pelo crime de falso testemunho e tendo seus casos analisados separadamente para fins de acordos jurídicos.

COM REPÓRTER MT