Governo questiona aprovação da ALMT da transferência da gestão do Hospital Júlio Müller de Cuiabá para Santo Antônio

Governo questiona aprovação da ALMT da transferência da gestão do Hospital Júlio Müller de Cuiabá para Santo Antônio SECOMMT

A aprovação, pela Assembleia Legislativa, da transferência da gestão do Hospital Universitário Júlio Müller de Cuiabá para o município de Santo Antônio do Leverger gerou questionamentos dentro do próprio governo estadual. O secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, afirmou que a Secretaria se posicionou formalmente sobre o tema e demonstrou preocupação com a capacidade administrativa do município para assumir a unidade, considerada referência estadual.

Segundo o secretário, a pasta foi consultada previamente por um parlamentar e emitiu parecer técnico sobre o assunto.

“Eu fui consultado por um deputado a respeito desse assunto e a Secretaria se posicionou oficialmente no parecer. Não existe muita lógica. O município de Santo Antônio não tem a estrutura necessária para fazer a administração da gestão plena de um hospital com essa magnitude”, declarou.

Gilberto explicou que, para assumir a gestão plena do hospital dentro das normas do Sistema Único de Saúde (SUS), o município precisaria ampliar significativamente sua estrutura administrativa e técnica. Entre as exigências estão a implantação de uma central de regulação própria, a contratualização da unidade hospitalar e a pactuação de atendimentos com todos os municípios de Mato Grosso.

“O município, para conseguir fazer aquilo que é preconizado no SUS com o pacto de ações, terá que fazer investimento com assistência pessoal. Ele precisa ter uma central de regulação, vai ser contratualizado com esse hospital, que é de referência estadual, e terá que pactuar com todos os municípios do Mato Grosso. Eu não sei se o município está ciente, mas precisa ter uma capacidade administrativa muito mais robusta para fazer isso”, detalhou.

O secretário também levantou dúvidas sobre o possível impacto financeiro da mudança. Para ele, o eventual aumento de arrecadação com impostos gerados pela produção hospitalar pode não compensar os custos adicionais que a prefeitura teria para garantir a gestão plena da unidade.

“Eu acho até que o ganho possível de imposto pela produção desse hospital será inferior ao custo adicional que o município vai ter para assegurar a gestão plena”, afirmou.

Atualmente, a contratualização do hospital junto ao Estado é realizada pelo município de Cuiabá. Na avaliação da Secretaria de Saúde, a decisão aprovada pelos deputados carece de coerência técnica.

“No nosso entendimento, não há muita coerência nessa decisão, mas já pontuamos isso oficialmente por meio de parecer formal”, reforçou.

Questionado se a alteração poderia provocar atrasos nas obras, especialmente em relação às licenças que passariam a ser responsabilidade da Prefeitura de Santo Antônio do Leverger, o secretário evitou cravar essa possibilidade, mas reiterou as exigências estruturais impostas ao município.

“Eu não sei se haverá atraso. O que estou dizendo é que a Prefeitura de Santo Antônio não tem hoje a competência necessária, e existe um trabalho robusto a ser feito. Assim está definido o nível de estruturação do SUS no país. Os municípios de gestão plena têm atribuições específicas. Quem tem que responder se tem as reais condições, e se para o Hospital Júlio Müller é melhor Santo Antônio ou Cuiabá, são os gestores dos dois municípios”, concluiu.

 

COM 24 HORAS MT