O poder de transformação da internet em conectar bilhões de pessoas de forma instantânea foi uma revolução para a comunicação, o acesso à informação através da internet é uma ferramenta fundamental nos dias atuais. Antigamente, o filtro era externo. Editoras e jornais serviam como porta voz da verdade, o que garantia credibilidade, mas também limitava o alcance de vozes fora do eixo principal. Hoje, o filtro precisa ser interno. A internet eliminou o intermediário, dando velocidade total à informação, mas jogou no colo do usuário a responsabilidade de ser o próprio checador dos fatos.
O Brasil é um dos países que mais consome redes sociais no mundo. O grande perigo não é apenas a mentira isolada, mas a facilidade com que a desinformação se disfarça de notícia profissional para enganar quem lê rápido demais. Ter discernimento hoje é quase um ato de resistência contra os algoritmos que priorizam o que choca em vez do que é real.
As redes sociais criaram um terreno fértil para o crime organizado e o estelionato digital. A promessa de notoriedade e riqueza rápida atrai jovens vulneráveis, influenciados por figuras que vendem um estilo de vida fictício. Esses 'vendedores de ilusões' utilizam o marketing para explorar quem possui menos instrução, como no caso das “rifas digitais” ou “jogos de azar” mascarando golpes como se fossem conselhos legítimos. Precisamos discutir urgentemente onde termina o direito à opinião e onde começa a desinformação deliberada, usada como ferramenta de exploração."
O grande desafio do nosso tempo não é o acesso à informação, mas o que fazemos com ela. Enquanto tratarmos a desinformação criminosa como mera 'liberdade de opinião', os mercadores de falsas promessas continuarão a ditar as regras do jogo. A proteção contra esse novo tipo de crime não virá apenas de algoritmos ou leis, mas do resgate do nosso próprio senso crítico. É preciso aprender a olhar para além do filtro: nem todo seguidor é admirador, e nem todo sucesso que brilha no feed é ouro.
*Glauber Arruda é Engenheiro Civil e cientista político.
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