Justiça transforma 11 suspeitos em réus e expõe esquema que desviou milhões do Tribunal de Justiça

Justiça transforma 11 suspeitos em réus e expõe esquema que desviou milhões do Tribunal de Justiça reprodução

A Justiça de Mato Grosso aceitou a denúncia do Ministério Público e transformou 11 investigados em réus por participação em um esquema que teria desviado mais de R$ 21 milhões da Conta Única do Tribunal de Justiça. A decisão é assinada pelo juiz Moacir Rogério Tortato, do Núcleo do Juiz das Garantias, e foi confirmada pela 7ª Vara Criminal. O caso segue em sigilo, mas já avança como uma das maiores investigações recentes envolvendo recursos do Judiciário.

O MP aponta o empresário João Gustavo Ricci Volpato como o articulador da estrutura criminosa. Ele teria usado empresas de cobrança para abrir ações judiciais simulando dívidas inexistentes. Dentro do Tribunal, o servidor afastado Mauro Ferreira Filho é acusado de produzir planilhas e informações falsas que davam aparência de legalidade aos pedidos.

As investigações da Operação Sepulcro Caiado mostram que o grupo apresentava comprovantes forjados de depósitos judiciais e, com isso, conseguia liberar alvarás sem qualquer lastro financeiro. Parte do dinheiro era movimentada por familiares de João Gustavo, advogados e empresários que, segundo o MP, atuavam diretamente na apresentação de documentos e no repasse dos valores.

O Ministério Público identificou pelo menos 17 processos utilizados para sustentar as fraudes, todos abertos entre 2018 e 2022. O golpe só foi interrompido quando o Tribunal alterou procedimentos internos de repasse financeiro em 2023, o que impediu novas liberações irregulares. Entre as vítimas aparecem empresários, pessoas físicas e até um interditado civil, cujo nome foi inserido em ação sem autorização.

Uma parte da denúncia seguirá para novas diligências, que devem aprofundar a suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao grupo. Os réus responderão por organização criminosa, peculato e estelionato.