Josi Dias/TJMT
O Tribunal do Júri da Comarca de Sinop condenou Wellington Honorato dos Santos a 19 anos e dois meses de prisão, em regime fechado, pelo assassinato de Bruna de Oliveira, de 24 anos, ocorrido em junho de 2024. A decisão foi tomada nesta terça-feira (27), após um dia inteiro de julgamento.
O réu foi condenado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Além da pena de prisão, a sentença fixou o pagamento de 15 dias-multa. O juiz Walter Tomaz da Costa acolheu integralmente a decisão do Conselho de Sentença, que seguiu a tese apresentada pelo Ministério Público.
Durante os debates, a acusação destacou a extrema crueldade do crime e o comportamento do réu após a morte da vítima. Conforme sustentado pelo MP, Wellington limpou o local do crime, ocultou o corpo, amarrou a vítima a uma motocicleta e a arrastou por ruas da cidade até uma região de mata, o que, segundo os promotores, não demonstra qualquer arrependimento real.
Bruna foi morta no dia 2 de junho de 2024. Câmeras de segurança registraram o momento em que o corpo da jovem é puxado por uma motocicleta, preso por correntes ao pescoço, sendo arrastado por cerca de três quadras até ser jogado em uma vala. O laudo pericial apontou que ela já estava morta antes de ser arrastada, com um corte profundo no pescoço provocado por arma branca ou objeto cortante, que nunca foi localizado.
A motivação do crime, de acordo com a acusação, foi uma discussão entre autor e vítima relacionada à venda de um ventilador para compra de droga.
Um dos momentos mais emocionantes do julgamento foi o depoimento do irmão da vítima, Bruno de Oliveira Rabuka, ouvido por videoconferência, já que está custodiado na Penitenciária Ferrugem. Ele relatou que encontrou o corpo da irmã em uma valeta com cerca de dois metros de profundidade e afirmou que a morte de Bruna destruiu toda a família.
A avó materna da vítima, Zulmira da Rosa, também prestou depoimento e informou que Bruna deixou três filhas menores de idade. Duas vivem com o pai, enquanto a filha do meio está sob os cuidados de um tio. Segundo ela, a família tenta manter o vínculo entre as crianças apesar das dificuldades.
Ao encerrar a sustentação, o promotor do Ministério Público questionou o valor da vida humana diante da motivação do crime e ressaltou os impactos permanentes da violência sobre os familiares, especialmente sobre as filhas da vítima. A defesa informou que deve recorrer da decisão.
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