TJMT vê indícios de dolo e manda advogado que atropelou idosa em VG para júri popular

TJMT vê indícios de dolo e manda advogado que atropelou idosa em VG para júri popular PAGINA UNICA

A Turma de Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) decidiu que o advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos será submetido a júri popular pela morte da idosa Ilmis Dalmis Mendes da Conceição, atropelada na Avenida da FEB, em Várzea Grande. O entendimento foi de que existem indícios de dolo eventual, quando o motorista assume o risco de provocar a morte.

O caso começou sendo tratado como homicídio culposo no trânsito, mas ganhou novo rumo após a conclusão dos laudos periciais e novas manifestações do Ministério Público.

Conforme os autos, a perícia apontou que o advogado conduzia uma Fiat Toro entre 101 km/h e 103 km/h no momento do atropelamento. O laudo também concluiu que a vítima iniciou a travessia quando o veículo ainda estava a cerca de 185 metros de distância, o que indicaria possibilidade técnica de evitar a colisão.

Os peritos ainda afirmaram que não foram identificados sinais de frenagem, tentativa de desvio ou qualquer outra manobra defensiva antes do impacto, mesmo com plena visibilidade da via.

Ao analisar o caso, o relator desembargador Lídio Modesto da Silva Filho entendeu que a combinação entre velocidade elevada em área urbana, ausência de reação e fuga sem prestação de socorro sustenta, neste momento, a hipótese de dolo eventual.

A defesa sustenta que a idosa iniciou a travessia quando o veículo já se aproximava e tenta afastar a tese de crime doloso. O argumento, porém, não foi suficiente para derrubar as conclusões da perícia nesta fase do processo.

O atropelamento aconteceu no dia 20 de janeiro, na Avenida da FEB. Após ser atingida pela Fiat Toro conduzida pelo advogado, a vítima foi arremessada para a pista contrária e acabou atingida por uma Fiat Strada. Ela morreu ainda no local.

Após o acidente, Paulo Roberto Gomes dos Santos deixou a cena sem prestar socorro. Ele foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva.

Com a decisão do TJMT, o processo seguirá para a 1ª Vara Criminal de Várzea Grande, responsável pelos julgamentos do Tribunal do Júri.