Vithória Sampaio/GD
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sergio Ricardo, cobrou explicações do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), sobre a contratação do ex-secretário municipal de Educação, Amauri Monge, durante vistoria realizada nesta sexta-feira (29) no almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação.
A cobrança ocorreu enquanto o Tribunal apura supostas irregularidades na aquisição de materiais didáticos para a rede municipal de ensino. Durante a visita, Sergio Ricardo afirmou que o prefeito estaria sendo "gentil" ao evitar apontar diretamente os responsáveis pelos contratos investigados.
“Você não disse ainda quem você está denunciando, você não citou o nome ainda”, afirmou o conselheiro ao questionar o prefeito sobre o caso.
A investigação teve início após a própria Prefeitura de Cuiabá denunciar possíveis irregularidades em contratos que somam cerca de R$ 80 milhões. Segundo a gestão municipal, há indícios de sobrepreço na aquisição de livros didáticos, alguns deles custando mais de R$ 800 por unidade. Também foram apontados erros de ortografia e suspeitas de utilização de inteligência artificial na produção de parte do material.
Ao responder aos questionamentos, Abilio afirmou que não tinha conhecimento de investigações anteriores envolvendo Amauri Monge quando o convidou para assumir a Secretaria de Educação. O prefeito ressaltou que a escolha foi baseada na experiência do ex-secretário na área educacional.
Segundo ele, a decisão foi tomada após consultar profissionais ligados ao setor e avaliar o histórico de atuação de Amauri na gestão da educação pública.
Apesar da justificativa, Sergio Ricardo voltou a questionar a responsabilidade pela condução dos contratos e comparou a situação investigada à crise que levou à liquidação do Banco Master pelo Banco Central.
“Isso é gestão equivocada? Vorcaro também fez gestão equivocada no Banco Master. Super equivocada a gestão do Banco Master”, declarou o presidente do TCE.
Além de cobrar esclarecimentos sobre a contratação do ex-secretário, o Tribunal anunciou que a investigação será ampliada para analisar compras semelhantes realizadas pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT). De acordo com Sergio Ricardo, há indícios de que materiais do mesmo tipo adquiridos em Cuiabá também tenham sido comprados pelo governo estadual.
O caso ganhou ainda mais repercussão após vir à tona que Amauri Monge foi alvo de investigação do Ministério Público do Paraná por suposto direcionamento de licitação para aquisição de material didático quando atuava na área educacional naquele estado. Entre os apontamentos do órgão estavam ausência de pesquisa de preços, possíveis falhas no processo de contratação e suspeitas de favorecimento à empresa vencedora do certame.
Na quinta-feira (28), o governador em exercício, Otaviano Pivetta (Republicanos), afirmou que não vê problemas na apuração conduzida pelo Tribunal de Contas e defendeu a responsabilização de eventuais envolvidos caso irregularidades sejam comprovadas.
“Não temos nada para esconder. Se alguém fez coisa errada, que pague pelo erro”, afirmou.
Por meio de nota, a Seduc-MT informou que considera legítima toda fiscalização realizada pelos órgãos de controle e reforçou o compromisso com a transparência na aplicação dos recursos públicos. A secretaria também afirmou que está à disposição para prestar os esclarecimentos necessários durante a investigação.
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